- Cuba enfrenta crise severa com falta de combustível, comida e energia, com quedas de energia superiores a doze horas diárias e ruas cheias de lixo.
- Igrejas e ministérios cristãos atuam com doações de alimentos, higiene e suporte espiritual; o MCC enviou seis contêineres de ajuda humanitária nos últimos meses.
- Moisés Pérez Padrón, líder cristão em Havana, produz mensagens de fé diariamente e alerta para colocar a esperança em Deus diante de crises.
- O embargo de óleo e desastres naturais (como o furacão Melissa) agravaram a situação econômica e social, dificultando a distribuição de suprimentos.
- Relatórios internacionais apontam restrições à liberdade religiosa no país, com Cuba considerada entre os locais mais desafiadores para cristãos na região.
Moisés Pérez Padrón, morador de Cuba há quatro décadas, afirma que a crise atual é a pior que já viu. Em Havana, ele dirige o escritório da Trans World Radio (TWR) e relata ruas sujas, crianças e idosos buscando comida e cortes de energia que chegam a 12 horas diárias. Famílias improvisam fogões com móveis para cozinhar.
Padrón atua também como copastor da Salem Baptist Church e vice-reitor do Havana Baptist Theological Seminary. Diariamente, grava mensagens de fé e esperança para redes sociais e amplia a transmissão pela frequência 800 AM, de Bonaire. Suas mensagens enfatizam a confiança em Deus diante de dificuldades políticas.
O cenário cubano ganhou atenção internacional após ações dos EUA e eventos climáticos. Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA assinou medida que pode impor tarifas ou sanções a países que enviem petróleo a Cuba, mirando reformas políticas e econômicas. Em setembro do ano anterior, o ciclone Melissa atingiu o país, devastando infraestrutura.
Paralelamente, a população enfrenta desocupação de combustível, alta inflação e deslocamentos. A emigração de profissionais qualificados já vinha ocorrendo antes da crise, agravada pela piora de serviços públicos básicos como saúde e educação, segundo especialistas entrevistados para a matéria.
Frente ao quadro, igrejas e ministérios cristãos intensificam a assistência. A MCC (Mennonite Central Committee) funciona há 43 anos e mantém cinco programas sociais vinculados às igrejas BIC, além do Centro Cristão de Reflexão e Diálogo. Recentemente, seis contêineres com ajuda humanitária foram enviados à ilha.
Jacob Lesniewski, codiretor regional da MCC para a América do Sul, México e Cuba, descreve cenas de Havana e de cidades mais ao leste, onde fábricas, escolas e hospitais estão vazios ou deteriorados. A logística de entrega é desafiadora, com veículos repostos por carroças puxadas por cavalos devido à escassez de combustível.
Mayra Espino, socióloga e pesquisadora do Centro Cristão, aponta três causas para a crise: emigração de profissionais, ausência de oportunidades governamentais e o impacto do embargo econômico. Ela ressalta que comunidades evangélicas têm desempenhado papel crucial na mobilização de ajuda e apoio social.
Ajuda, fé e espaço cívico
A atuação de comunidades religiosas tem ampliado redes de acolhimento, assistência material e apoio espiritual. Apesar de restrições, celebra-se a circulação de serviços religiosos em igrejas permitidas, com espaço limitado para novos templos e construção de imóveis.
Entre mil parcerias, destaca-se a atuação de comunidades evangélicas e católicas na oferta de alimentos, roupas e itens de higiene. Observadores ressaltam que, em meio à crise, as organizações religiosas ajudam a manter coesão social e lidar com a vulnerabilidade de famílias inteiras.
Relatos de moradores revelam aumento de desfechos criminais em cidades grandes, alimentado pela pressão econômica e pela fome. Mesmo assim, muitos cubanos escolhem permanecer, mantendo vínculos comunitários e religiosidade como eixo de resistência cotidiana.
A situação de liberdade religiosa em Cuba tem passado por mudanças ao longo dos anos. Embora haja espaços de culto autorizados, jornais católicos e revistas cristãs sofrem censura, e organizações religiosas enfrentam limitações para possuir meios de comunicação. Dados internacionais apontam altas tensões entre diferentes grupos religiosos no país.
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