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Engarrafamento de caminhões atrasa exportação recorde de soja no Pará

Fila de caminhões de 30 km em Miritituba atrasa descarregamento de soja, colocando em risco exportação recorde no Pará e agravando gargalos logísticos

Caminhões no porto de Miritituba 25/02/2026
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  • Na safra 2025/26, o Brasil deve produzir cerca de 180 milhões de toneladas de soja, recorde histórico.
  • Caminhoneiros em Miritituba, no rio Tapajós, enfrentam filas de até 30 quilômetros para descarregar, após percorrerem até 1.200 quilômetros desde o Mato Grosso.
  • Miritituba movimenta aproximadamente 12 milhões de toneladas de grãos por ano; terminais de Cargill, Bunge e Amaggi enviam soja e milho para o porto fluvial e, depois, para navios oceânicos.
  • Protestos indígenas em Santarém e a revogação de um decreto que incluía hidrovias no plano de desestatização criaram incertezas para o setor; a Cargill chegou a suspender operações em Santarém e trabalha para retomar.
  • Especialistas indicam que melhores hidrovias e infraestrutura portuária podem reduzir filas e custos; a Famato aponta que cerca de 60% das exportações dependem do transporte rodoviário, o que aumenta o custo logístico.

A fila de caminhões em Miritituba tem atrasado a exportação de soja no polo da Amazônia. Trabalhadores do setor relatam que o congestionamento chegou a 30 km, com motoristas percorrendo até 1.200 km desde Mato Grosso para tentar descarregar. A situação ocorre em meio a um volume recorde de produção no Brasil.

Na safra 2025/26, o Brasil deve produzir cerca de 180 milhões de toneladas de soja, um novo recorde histórico. Grande parte da produção brasileira é destinada ao mercado chinês, o que aumenta a pressão sobre a logística de escoamento pelas vias fluviais e rodoviárias.

Miritituba funciona como uma importante estação de transbordo no rio Tapajós, movendo cerca de 12 milhões de toneladas de grãos por ano. Empresas como Cargill, Bunge e Amaggi operam terminais que enviam cargas por barcaças para instalações no rio Amazonas, preparando-as para navios oceânicos.

Protestos agravam desafios

No mês, manifestantes indígenas invadiram uma instalação da Cargill em Santarém (PA) para protestar contra a política de dragagem e expansão de hidrovias na bacia amazônica. A fim de evitar protestos, o governo revogou, na segunda-feira, o decreto que incluía as hidrovias Tapajós, Madeira e Tocantins no plano de privatizações.

A mobilização pode ter influenciado a fila em Miritituba, conforme relatos de caminhoneiros que buscam vagas para descarregar. As regras de pagamento de comissão costumam incentivar a busca por vagas com maior urgência na região.

A Cargill suspendeu operações em Santarém durante os protestos, retomando as atividades na semana seguinte. Em nota, a empresa agradeceu a dedicação dos funcionários e reiterou o compromisso com o abastecimento de alimentos com segurança e confiabilidade.

Impactos e perspectivas logísticas

Analistas apontam que a revogação do decreto pode atrasar planos de melhorar a infraestrutura de escoamento no norte, gerando incertezas para exportadores. Pesquisadores destacam que dragagem dos rios permitiria o uso de embarcações maiores durante o ano todo, reduzindo dependência de transporte rodoviário.

Especialistas ressaltam que aproximadamente 60% das exportações brasileiras dependem do transporte rodoviário, elevando custos se a demanda não for atendida com eficiência. Investimentos em hidrovias e em pátios de terminais poderiam diminuir filas e o tempo de descarregamento, ajudando a reduzir custos logísticos.

Caminhoneiros e produtores divergem sobre impactos, mas concordam que a infraestrutura atual é um entrave à competitividade. Estudos indicam que a melhoria da logística pode ampliar margens dos produtores por meio de menor custo de transporte e maior previsibilidade de escoamento.

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