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Protesto da geração Z em Marrocos é silenciado por prisões e processos

GenZ marroquino perde impulso após detenções e centenas de condenações; governo amplia gasto em saúde e educação, mas cobranças por reformas persistem

Manifestación de jóvenes marroquíes en octubre de 2025 ante la sede del Parlamento en Rabat.
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  • O movimento GenZ 212 surgiu há cerca de seis meses em Marrabeque (Marrocco) para exigir melhores serviços públicos e combater corrupção; resultou em perto de seis mil detidos, com mais de dois mil condenados a até quinze anos de prisão.
  • Decisões judiciais ainda seguem contra jovens envolvidos nas mobilizações; casos destacados incluem a jovem Zineb el Jarrubi, detida em Marrakech por “incitação à prática de delitos”, e o rapper Suhaib Qebli, acusado de insultos a autoridades; ambos sob alegação de violação da liberdade de expressão.
  • Alguns episódios violentos marcaram as protests, como três jovens mortos por disparos da polícia na região de Agadir, além de dezenas de feridos em outras áreas.
  • O governo elevou o gasto social em sanidade e educação em até 140 mil milhões de dirhams para 2026, em resposta às reivindicações; o rei Mohamed VI pediu celeridade nas reformas durante discurso no Parlamento.
  • O movimento teve alicerce digital, com o grupo GenZ 212 ganhando notoriedade após lançar página em Discord que reuniu centenas de milhares de seguidores; as ações seguiram em um contexto de insatisfação com educação, empregos e moradia.

O movimento da geração Z no Marrocos, desencadeado há cerca de seis meses, perdeu força nas ruas após uma intensa onda de detenções e processos. Decisões judiciais passam a reter dezenas de jovens, enquanto o governo intensifica ações para conter a mobilização e atende a parte das reivindicações sociais.

Cerca de 6.000 pessoas foram detidas, segundo a Associação Marroquí de Direitos Humanos (AMDH). Mais de 2.000 receberam condenação de até 15 anos de prisão. Jovens continuam a ser julgados por participação nas manifestações que ocorreram entre setembro e outubro.

Detalhes dos casos e prisões

Entre os casos de maior repercussão, Zineb el Jarrubi, de 28 anos, foi detida no aeroporto de Marrakech ao retornar a uma visita familiar e enfrenta acusação de incitar a prática de crimes pelas redes sociais. O julgamento foi marcado para esta segunda-feira, 23 de março, pela Justiça de Casablanca.

Outro caso envolve Suhaib Qebli, de 23 anos, acusado de insultar autoridades e órgãos constitucionais. Qebli, conhecido por críticas à repressão policial em suas letras, aguarda julgamento em Taza. A AMDH afirma que tais ações violam a liberdade de expressão prevista na Constituição de 2011.

Resposta do governo

As manifestações, que reuniram milhares de jovens em Rabat, Casablanca e outras cidades, levaram o governo a aumentar gasto social. Em 2026, o orçamento prevê cerca de 140 bilhões de dirhams adicionais para saúde e educação, equivalente a aproximadamente 13 bilhões de euros.

O monarca Mohamed VI pediu, em discurso ao Parlamento, que as reformas avancem sem atritos com grandes projetos nacionais, como estádios e infraestrutura para eventos internacionais. Ainda assim, a continuidade de julgamentos e novas detenções indica endurecimento do cerco legal contra os movimentos.

Panorama geral

Os manifestações da geração Z tiveram grande expressão entre setembro e outubro do ano passado, com momentos de protestos pacíficos e episódios de violência policial que resultaram em mortes na região de Agadir. Mesmo após o recuo inicial, a AMDH registra julgamentos e novas detenções nos meses seguintes, evidenciando um desdobramento judicial contínuo.

A mobilização nasceu de reivindicações por saúde, educação e combate à corrupção, conectadas a uma demanda por oportunidades de emprego e moradia. O movimento ganhou visibilidade internacional pela circulação nas redes sociais e por incidentes de atuação pública.

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