- Em Minneapolis, um centro de convivência infantil em imersão em espanhol vive o período de pico de operações de imigração desde janeiro, quando agentes participaram da operação Metro Surge.
- Dozens de voluntários, na maioria com mais de setenta anos, trabalham como motoristas e intérpretes para levar funcionários imigrantes para casa e ajudar caso haja abordagem de agentes.
- Aproximadamente sessenta voluntários, vindos de bairros vizinhos, se revezam para transportar os trabalhadores entre suas casas e o centro, fortalecendo redes de apoio locais.
- O centro chegou a ficar fechado por seis dias após um caso de violência policial e ao menos doze crianças se retiraram, forçando ajustes e cortes temporários de pessoal.
- Com o recuo da operação, a maioria dos funcionários está voltando a dirigir para o trabalho, mas há preocupação com a sustentabilidade a longo prazo das redes de apoio e com a continuidade das ações voluntárias.
Dozens de voluntários, na maior parte com mais de 70 anos, passam a tarde em um centro de cuidados infantis com imersão em espanhol em Minneapolis. O objetivo é apoiar a equipe e as famílias diante de operações de fiscalização de imigração.
Naquele dia de fevereiro, crianças pequenas vestiam casacos e seguiram para a saída com os pais. Enquanto isso, o marido da diretora monitorava filmagens de segurança em busca de veículos que pudessem levar agentes do ICE. Desde o início de janeiro, a cidade vive a presença de agentes em operações de alto alcance.
A atuação das voluntárias, apelidadas de avós pela equipe, envolve dirigir os funcionários imigrantes de volta para casa e atuar como observadores e tradutores caso haja abordagem policial. Mesmo com a autorização dos trabalhadores, o medo de deslocar-se ao centro aumentou.
Mais de 60 voluntários, moradores de áreas suburbanas, trabalham em turnos para levar a equipe aos bairros. O modelo de apoio local faz parte de uma rede de assistência humana que se manteve ativa diante da ausência de uma estrutura governamental específica para esse tipo de auxílio.
Mudança de tema: desdobramentos e perguntas sobre sustentabilidade
A organização comunitária, com apoio de ONGs, organizou recursos como cartões de viagem para reduzir custos com deslocamento, evitando paradas em pontos de ônibus onde o ICE age. A iniciativa destaca a importância de redes locais para enfrentar períodos de tensão institucional.
Com o recuo do foco público na operação, surgem dúvidas sobre a viabilidade de manter esse nível de apoio a longo prazo. A diretora do centro espanhol relata que o esforço não terminou e que é preciso planejar o retorno seguro dos funcionários às atividades diárias.
Pessoas envolvidas enfatizam a necessidade de manter a proteção aos trabalhadores e a continuidade dos serviços infantis. As pessoas entrevistadas preferiram não revelar identidades, temendo retaliação ou vigilância de autoridades.
Este texto foi desenvolvido com base em reportagens do Hechinger Report, organização independente dedicada à educação e à desigualdade.
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