- Iris Marín, Defensora do Povo da Colômbia, relata em entrevista em Madri que há zonas onde predomina a governança criminal e as instituições do Estado não conseguem controlar a situação, o que dificulta a participação igualitária da população, especialmente de mulheres e candidatas a curules de paz.
- A Defensoria aponta que apenas quarenta e um por cento das recomendações feitas ao governo foram cumpridas, e mais de seiscentos municípios apresentam algum risco de violência ou fraude eleitoral.
- O país viveu eleições legislativas marcadas por violência, com ataques a candidatos, sequestros e assassinatos de escoltas, considerados o período eleitoral mais violento desde o acordo de paz de dois mil e dezesseis.
- Grupos armados teriam se fortalecidos nos últimos seis anos, ampliando áreas de atuação e mantendo o controle sobre territórios e recursos, com disputas entre facções na região Nordeste e na fronteira com a Venezuela.
- Marín avalia que, apesar de a pacificação ter avançado em certos aspectos, há críticas à estratégia de paz total, com expansão de grupos armados e aumento de crimes contra a população; ela elogia ações sociais, mas defende avaliação sobre continuidade do governo atual e maior representatividade de mulheres.
Iris Marín, defensora do Pueblo da Colômbia, destacou que há áreas do país onde a governança criminal predomina. A afirmação ocorreu durante entrevista em Madrid, em viagem de trabalho, em plena efervescência eleitoral. A defensora ressaltou a dívida histórica com os setores mais vulneráveis e a falta de avanços na representatividade feminina.
Marín apontou que a violência política é o principal desafio para o processo eleitoral, com ataques e intimidações contra candidatos intensificados nas regiões mais afetadas. Ela alertou que grupos armados fortalecidos disputam territórios e controlam recursos, o que dificulta a participação igualitária da população.
A articuladora sinalizou que, no nordeste e fronteiras, disputas entre organizações criminosas, como o Clan del Golfo e seus oponentes, moldam a violência local. Além disso, citou o ELN e dissidências da antiga guerrilha como atores relevantes em várias áreas, enfatizando a necessidade de proteção aos participantes.
A Defensoria do Pueblo divulgou recomendações ao governo para reduzir a influência dos grupos armados no pleito. Segundo Marín, apenas parte das medidas foi cumprida, o que repercute no terreno. Dados oficiais indicaram aumento no número de municípios sob risco de violência e fraude eleitoral.
Para a defensora, a violência não é uniforme: mulheres e candidatas a curules de paz enfrentam riscos maiores. Ela também avaliou o desempenho do governo na política de paz, reconhecendo avanços na redução de ataques às forças de segurança, mas sinalizou expansão de grupos armados e limitações na implementação das propostas.
Perspectivas sobre a política de paz e a participação feminina
Marín ressaltou que a agenda social tem sido ousada em certas frentes, com impacto na redução da desigualdade. Contudo, destacou que a representatividade feminina ainda é baixa, com menos de metade das candidaturas ao Congresso ocupadas por mulheres. Ela reforçou a necessidade de avaliação contínua e ajuste estratégico na condução da paz.
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