- Nana Darkoa Sekyiamah lança Seeking Sexual Freedom: African Rites, Rituals and Sankofa in the Bedroom, que busca redescoverr ritos de passagem africanos para modelos de liberdade sexual.
- O livro analisa tradições como o Dipo, rito de iniciação de meninas na Gâmbia/Ghana, destacando aspectos de ensino, higiene e performances de virgindade, com críticas ao foco excessivo na “pureza”.
- Apresenta o conceito de “sex auntie” (ssenga) entre os Baganda, em Uganda, papel da tia na educação sexual das jovens e na preparação para a vida sexual futura.
- Descreve práticas como o “pulling” (sugestão de alongar o clitóris/óvulos) para adequação ao que é considerado desejável, enfatizando o aprendizado sobre o corpo e a sexualidade.
- A obra propõe revisitar saberes ancestrais de forma cuidadosa, para construir uma cultura de prazer e direitos corporais, destacando a diversidade de culturas africanas.
Nana Darkoa Sekyiamah, escritora ganense, volta ao debate público com o livro Seeking Sexual Freedom: African Rites, Rituals and Sankofa in the Bedroom. A obra propõe revisitar rituais africanos que, segundo ela, podem moldar novos modelos de liberdade sexual. O lançamento ocorre no Reino Unido em 12 de março e nos EUA em 5 de março.
No novo trabalho, a autora mapeia ritos de passagem de várias culturas africanas para entender como tradição, afeto e cuidado formam bases para a expressão sexual. O foco está em práticas antigas que sobreviveram à modernidade, à religião organizada e à urbanização, oferecendo um referencial para o corpo e o prazer.
Sekyiamah já ganhou notoriedade com The Sex Lives of African Women, de 2019. Em Seeking Sexual Freedom ela amplia o olhar ao passado pré-cristão e pré-islâmico, buscando elementos de abertura e diálogo sobre o corpo feminino. A pesquisadora entrevistou mulheres da África e da diáspora para reconstruir esse panorama.
Ritos e rituais
Nana descreve o Dipo, rito de entrada na puberdade entre as comunidades Krobo, em Gana. O processo envolve roupas ornamentadas, cabeça raspada e instruções de higiene, além de encenações sobre virgindade. A autora aponta que traços de pureza dominam as controvérsias envolvidas.
O livro aborda ainda a figura da ssenga, tia que orienta a sexualidade das jovens entre o povo Baganda, em Uganda. A narrativa ressalta a importância de uma figura próxima para explicar sexo e corpo, especialmente quando os pais adotam posturas mais contidas.
Corpos, prazer e aprendizado
Outro capítulo trata de práticas como a chamada puxada, ensinada às jovens para aproximar o prazer, conforme a tradição local. Sekyiamah afirma que essas tradições historicamente visaram a familiarização com o próprio corpo e a normalização da curiosidade entre amigas.
A pesquisadora ressalta a diversidade cultural africana e o equívoco comum de associar qualquer discussão genital à mutilação. Segundo ela, há exemplos onde o aprendizado sobre genitais é visto como forma de autoconhecimento e cuidado corporal.
Nana propõe que pais e comunidades interditem estigmas, promovendo diálogo contínuo sobre sexualidade, prazer e bem-estar. A autora considera essencial que crianças e adolescentes tenham apoio de figuras confiáveis para abordar esse tema de forma segura e respeitosa.
Sobre o livro
Seeking Sexual Freedom é publicado pela Dialogue Books no Reino Unido e pela Atria Books nos Estados Unidos. A obra chega em meio a debates sobre educação sexual, tradição e autonomia corporal, oferecendo um quadro para entender fostos de prazer dentro de contextos culturais específicos.
Fontes citadas indicam que o livro reconta relatos de mulheres que, ao longo de gerações, encontraram formas de celebrar o corpo com responsabilidade, afeto e consentimento. A publicação busca ampliar o debate sobre sexualidade feminina na África e na diáspora.
Entre na conversa da comunidade