- Em 11 de março de 2011, o terremoto de magnitude nove,0 atingiu a costa de Tohoku, no Japão, provocando tsunami, acidente na usina de Fukushima Daiichi e mais de 18 mil mortes.
- Cerca de quinze minutos depois do sismo principal, sensores de GPS mostraram que o Japão inteiro se deslocou aproximadamente milímetros para o leste.
- Um estudo na revista Science explica que uma onda sísmica chamada ScS viajou pelo interior da Terra, atingiu o núcleo externo e retornou à superfície, provocando um novo deslizamento entre placas.
- O deslocamento ocorreu em uma área de cerca de três mil quilômetros, com a liberação de energia equivalente a um terremoto de magnitude 7,5, envolvendo as zonas entre as placas pacífica e okhotsk, e entre filipinas e eurásia.
- Os pesquisadores destacam que o fenômeno representa um novo tipo de risco sísmico, indicando que grandes tremores podem influenciar falhas minutos após o tremor principal.
O tremor de magnitude 9,0 que atingiu a costa de Tohoku, no Japão, em 11 de março de 2011, provocou tsunami devastador e levou ao acidente na usina Fukushima Daiichi. O desastre teve mais de 18 mil mortos e deixou marcas profundas na infraestrutura japonesa.
Agora, um estudo publicado na revista Science detalha um fenômeno raro: cerca de 15 minutos após o sismo principal, sensores de GPS pelo país indicaram que o território japonês se moveu levemente para o leste. Os pesquisadores associam esse deslocamento a uma onda sísmica que percorreu o interior da Terra.
Deslocamento que atravessou o planeta
Segundo a pesquisa, uma onda ScS viajou cerca de 2.900 quilômetros pelo manto, atingiu o núcleo externo e foi refletida de volta à superfície, completando uma rota de quase 5.800 quilômetros. Ao retornar, teria provocado um novo deslizamento entre placas tectônicas e um deslocamento permanente de até 5–6 milímetros no território japonês.
O estudo utiliza dados sísmicos e de GNSS para sustentar a hipótese e aponta que o movimento ocorreu de forma distribuída ao longo de aproximadamente três minutos, afetando uma faixa de cerca de 3 mil quilômetros de extensão.
Implicações e panorama científico
A pesquisa, liderada por Sunyoung Park, da Universidade de Chicago, afirma que o evento representaria um novo tipo de risco sísmico, potencialmente acionado minutos após o tremor principal. Embora não revele uma repetição previsível, aponta a necessidade de ampliar a compreensão sobre os efeitos de grandes abalos.
Especialistas destacam que, mesmo com registro extenso de Tohoku, a descoberta oferece uma visão inédita de como ondas retornadas do núcleo podem influenciar falhas próximas à superfície. O estudo reforça a importância de integrar dados de diferentes plataformas de monitoramento para avaliar riscos.
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