- Carros atuais funcionam como computadores sobre rodas, coletando dados sobre locais por onde você passa, quem está no veículo, o que toca no rádio e se usa cinto, além de dirigir acima da velocidade ou frear bruscamente.
- Montadoras podem vender informações a seguradoras ou terceiros; estudo da Mozilla em 2023 aponta que nenhuma política avaliada atendia aos padrões de privacidade e segurança, e 19 marcas sinalizam possibilidade de venda de dados.
- Há casos como a Kia, cuja política menciona dados sensíveis como vida sexual e saúde; a montadora afirma não coletar esses itens efetivamente, mas admite que aparecem na definição de dados sensíveis. Também houve relatos de venda de dados pela GM para LexisNexis, com consequências em seguros.
- Nos Estados Unidos, uma lei em tramitação pode exigir câmeras biométricas e monitoramento para detectar motorista embriagado ou cansado, mas não há regras claras sobre o uso final dos dados gerados.
- Medidas possíveis para o consumidor incluem não participar de telemetria de seguradoras, solicitar cópia dos dados, exigir exclusão ou bloqueio de compartilhamento, e no Brasil há a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) que regula o tema; algumas montadoras oferecem opções de privacidade nas configurações do veículo.
A privacidade no trânsito está sob escrutínio. Carros modernos funcionam como computadores sobre rodas, coletando dados sobre locais, trajetos e atividades no veículo. Empresas usam esses dados para lucrar e moldar serviços, muitas vezes sem clareza sobre o destino das informações.
Relatos de especialistas apontam que dados podem incluir desde lugares visitados e ocupantes até hábitos de condução, como uso do cinto, velocidade e frenagens. Câmeras internas e conectividade não são exceções, e dados podem ser enviados sem que o motorista perceba.
Montadoras admitem o uso de dados, mas a extensão varia. Em muitos casos, a prática depende da aceitação de políticas de privacidade ao configurar o sistema do veículo. A coleta pode ocorrer também quando o celular é conectado ao sistema multimídia.
O que é coletado e quem vê
O conjunto de informações pode abranger localização, ocupantes, conteúdo do rádio e comportamento ao volante. Pesquisas indicam que dados podem incluir ainda peso, idade e até expressões faciais, dependendo das políticas da fabricante.
Especialistas destacam que, embora a prática possa melhorar segurança e personalização, não existem regras claras sobre quem compra os dados ou para quais finalidades eles são usados. Alguns impactos costumam aparecer apenas após o uso.
Casos de fiscalização e ações regulatórias já ocorreram. Nos EUA, autoridades investigam venda de dados de localização por montadoras sem consentimento. Também houve questionamentos sobre transferência de dados para terceiros.
Impacto financeiro e privacidade
Seguradoras utilizam informações para precificar seguros, o que pode descontar ou aumentar o valor conforme o perfil de direção. A ausência de regras sobre destinação dos dados preocupa consumidores que não sabem para onde vão as informações.
Há sinais de que a coleta de dados pode crescer com novas regras técnicas. Em breve, veículos podem exigir câmeras biométricas e monitoramento de comportamento para detectar embriaguez ou fadiga, ampliando o volume de dados sensíveis.
Como agir no Brasil e no exterior
Em diversos lugares, consumidores podem solicitar cópias dos dados coletados e restringir sua venda. Da mesma forma, é possível exigir a exclusão de dados em alguns mercados. No Brasil, a LGPD estabelece regras de proteção de dados pessoais.
Algumas montadoras oferecem opções de privacidade que limitam coleta e compartilhamento, disponíveis no sistema do veículo ou em apps conectados. A orientação é revisar políticas de privacidade antes de aceitar termos.
Entretanto, especialistas destacam que depender de ajustes individuais não é solução plena. Eles defendem regras mais robustas para evitar uso indevido de dados além da segurança veicular.
Entre na conversa da comunidade