- O sistema Prevent está sobrecarregado por um aumento de encaminhamentos, devendo ultrapassar dez mil pessoas neste ano.
- A maioria dos encaminhamentos não envolve ideologia específica, mas preocupa apenas o interesse violento de indivíduos.
- O crescimento ocorreu após o ataque de Southport em 2024; houve casos de menores encaminhados ao Prevent, inclusive um suspeito referenciado três vezes, mas sem motivação ideológica comprovada.
- O chefe de contrterrorismo, Laurence Taylor, afirma que não há triagem superior ao Prevent e o volume alto pode levar a falhas na identificação de pessoas vulneráveis.
- Uma revisão independente sobre Southport deve criticar o manejo do caso, e o governo já cogita a criação de um novo esquema para detectar fascinados pela violência.
O risco de ataques terroristas preocupa o Reino Unido à medida que o programa Prevent registra um aumento expressivo de encaminhamentos. O chefe da counter-terrorism britânica, o comissário assistente Laurence Taylor, afirmou ao Guardian que mais de 10 mil pessoas devem ser encaminhadas este ano, ante um crescimento superior a um terço em relação a dois anos atrás.
A maior parte das denúncias não envolve ideologias claras, mas sim preocupações com o interesse de jovens por violência. Em muitos casos, não há ligação com jihadismo ou extremismo de direita, conforme dados apresentados por Taylor. O panorama inclui ainda episódios triviais que alimentam a demanda pelo programa.
O aumento de encaminhamentos ganhou impulso após o ataque com faca em Southport em 2024. O jornal já havia reportado que o adolescente responsável pelas mortes em uma aula de dança foi encaminhado três vezes, mas teve o caso arquivado por não haver relação com ideologias extremistas.
Taylor afirmou que o volume elevado de denúncias dificulta as avaliações. Segundo ele, há pouca alternativa de registro para preocupações sobre jovens com interesse em violência, o que aumenta o risco de não identificar pessoas vulneráveis que mereçam intervenção.
Segundo o chefe de Prevent, mais da metade dos encaminhados no ano passado foi avaliada como sem uma ideologia fixa. O sistema não possui uma triagem superior, o que faz com que todos os casos acabem sendo canalizados para o mesmo conjunto de ações.
A análise de Taylor aponta que há material relacionado ao Estado Islâmico e a neo-nazismo entre os encaminhados, bem como pessoas expostas a conteúdos violentos. A preocupação, porém, é centrada na absorção de material violento sem motivação ideológica específica.
Uma revisão recente, conduzida por David Anderson após Southport, sugeriu considerar um novo esquema para identificar jovens fascinados pela violência e encaminhá-los para apoio adequado, separando casos com ou sem ideologia.
Taylor reforçou que Prevent é voltado para ideologias; quando há saúde mental envolvida, ele indicou que o programa pode não ser o caminho mais adequado, exigindo encaminhamentos específicos para cada necessidade.
A expectativa é de que, ainda neste mês, uma avaliação independente de Southport critique a atuação de Prevent, serviços de saúde e autoridades locais. As preocupações se concentram no manejo de Axel Rudakubana, condenado pelos assassinatos em Southport.
Sobre o contexto internacional, Taylor lembrou que ameaças de Estados hostis aumentaram no início de 2026, com crescimento significativo desde 2025. Ele destacou a importância de acompanhar a evolução tática de grupos terroristas e a influência de tensões geopolíticas.
Questionado sobre impactos de eventos políticos, o chefe de prevenção evitou comentar hipóteses políticas. Afirmou que a polarização e a variedade de protestos em Londres refletem múltiplos fatores que podem contribuir para a tensão, sem atribuir causalidade a um único elemento.
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