- Japão ativou pela primeira vez sistemas de ataque a distância com mísseis de longo alcance em território japonês, incluindo mísseis antinavio Tipo 25 e projéteis hipersônicos, aumentando a capacidade de dissuasão.
- China classifica o movimento como neomilitarismo e alerta que a situação pode comprometer a paz e a segurança regionais; Pequim exige vigilância internacional.
- As ações ocorrem em meio a uma relação entre Japão e China em acentuada deterioração, com tensões acentuadas desde o apoio de Takaichi a uma hipótese de ameaça existencial ligada a Taiwan.
- Os sistemas foram instalados na base de Kengun, em Kumamoto, e no Campamento Fuji, em Shizuoka, formando a nova perspectiva de retaliação em caso de ataque ou ameaça iminente.
- O contexto inclui incidentes recentes e medidas chinesas contra o Japão, como restrições a exportações de bens de uso dual e ações de retaliação anunciadas pela imprensa estatal chinesa, além de investimentos japoneses recordes em pesquisa militar em 2025.
O Japão ativou pela primeira vez uma capacidade de ataque a distância com mísseis em território nacional, sinalizando um giro significativo na postura de defesa. As tropas das Forças de Autodefesa Terrestres implementaram dois sistemas de alcance prolongado nesta semana, em resposta a desafios de segurança na região.
O anúncio do Ministério da Defesa aponta que a iniciativa visa fortalecer a dissuasão e a capacidade de resposta. O ministro Shinjiro Koizumi afirmou que o movimento acompanha um entorno de segurança cada vez mais hostil desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Na base de Kengun, em Kumamoto, sul do Japão, foram ativados mísseis antibuque Tipo 25, com alcance próximo a 1.000 quilômetros. Também houve o acionamento de projéteis hipersônicos no Campo Fuji, no leste do país, voltados à defesa de ilhas isoladas.
Reações internacionais e mudanças na doutrina
O governo chinês classifica o passo japonês como neomilitarismo e o considera uma ameaça à paz regional. A porta-voz Ma Ning, da Organização Mundial de Exteriores da China, disse que o movimento pode elevar tensões na região.
A mudança ocorre em meio ao agravamento das relações entre Japão e China desde novembro, quando a primeira-ministra conservadora defendeu uma postura de segurança mais firme frente a Pequim. As declarações germinaram medidas diplomáticas e econômicas entre os dois países.
Contexto constitucional e desdobramentos
Desde o pós-guerra, o Japão se baseia no Artigo 9, que renuncia à guerra como instrumento de solução de disputas. A ampliação da capacidade de retaliação representa uma mudança relevante na linha de defesa japonesa.
O avanço foi acompanhado por críticas de veículos oficiais chineses, que passaram a questionar a trajetória de segurança de Tóquio. Além disso, houve cobertura sobre o peso das sanções e restrições impostas pela China ao setor de defesa japonês.
Antecedentes de tensão e eventos recentes
No mês anterior, um militar japonês foi detido após invadir a Embaixada da China em Tóquio com uma faca, episódio que tensionou ainda mais o ambiente diplomático. A cobertura estatal chinesa descreveu o incidente como indicador de deterioração da disciplina dentro das Forças de Autodefesa do Japão.
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