- O programa anti-terrorismo Prevent é considerado antiquado e inadequadamente preparado para enfrentar os desafios atuais, incluindo extremistas sem ideologia fixa.
- Comissão de assuntos internos recomendou uma reestruturação com estratégia multiplataforma para encaminhar casos a serviços adequados, reduzindo o foco apenas no “contraterrorismo”.
- O relatório aponta que o Prevent chegou a falhar em sinalizar casos de ataques extremistas recentes e destaca necessidade de suporte a pessoas sem motivação ideológica ou com neurodiversidade.
- Principais tendências identificadas incluem aumento de menores de idade envolvidos, excesso de referrals de pessoas neurodiversas, uso de memes e ferramentas criativas para disseminar extremismo e aproveitamento de IA para conteúdo direcionado.
- O governo afirma estar promovendo uma reformulação fundamental, expandindo iniciativas como o grupo de vistos para impedir extremistas estrangeiros de entrarem no Reino Unido e fortalecendo a capacidade de disrupção de redes extremistas.
O programa anti-terrorismo Prevent, no Reino Unido, é considerado pela comissão de Assuntos Internos demasiado desatualizado para enfrentar desafios modernos, como extremistas sem ideologia fixa. O relatório aponta falhas na preparação para cenários digitais.
A comissão, que reúne membros de diferentes partidos, pediu uma reformulação completa da abordagem. O objetivo é reduzir a triagem inadequada e direcionar referrals a serviços mais adequados, sem adotar o antigo “mindset” de combate ao terrorismo.
O documento também aponta que o Prevent depende, hoje, de estratégias que não acompanham o ritmo das subculturas online, incluindo antisemitismo, hostilidade a muçulmanos e misoginia. O relatório tem 62 páginas.
O texto acusa o programa de ter se afastado de sua função principal de evitar radicalização e, com frequência, de apoiar pessoas sem motivação ideológica que apresentam necessidades complexas. A necessidade de uma estrutura local, com aplicação nacional, é enfatizada.
A comissão cita que o orçamento de 40 milhões de libras não tem assegurado o aumento de casos com potencial de violência. Além disso, ressalta a sobre-representação de pessoas neurodiversas e com transtornos mentais entre os encaminhamentos.
Entre as evidências, destacam-se casos como o do assassino Axel Rudakubana, em Southport, e de Ali Harbi Ali, que matou Sir David Amess em 2021. Em ambos, houve encaminhamentos que, segundo a revisão, ocorreram tardiamente ou de forma inadequada.
A análise também aponta que o sistema de prevenção precisa de regulação mais rígida sobre plataformas menores, onde conteúdos extremistas se multiplicam com maior velocidade. A Inteligência Artificial é citada como impulsionadora dessa dinâmica.
A relatora Karen Bradley, da bancada Conservadora, afirma que funções centrais de prevenção precisam ser atualizadas para acompanhar a evolução digital e atender pessoas sem motivação ideológica. Ela defende triagem eficaz para encaminhamentos.
Trends identificados no relatório incluem maior presença de menores de idade em atividades extremistas, sobre-representação de neurodiversos, mudanças de crença e uso de memes e mensagens codificadas para engajar públicos. A IA gera conteúdos em grande escala.
O estudo também observa aumento de crimes de ódio ligados a anti-ofensa religiosa, extremismo anti-Israel, hostilidade a muçulmanos e eco-extremismo. Dentre as causas, destaca-se a exposição digital e o apelo de formatos virais.
O Ministério do Interior informou que está promovendo um “reset fundamental” na abordagem de combate à extremismo. A medida inclui ampliar um grupo de trabalho de vistos para impedir que extremistas estrangeiros cheguem ao país, fortalecer ações de interrupção de redes extremistas e fornecer mais informações aos profissionais de linha de frente.
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