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Ataque hacker a app religioso no Irã revela outra faceta da guerra

Hackeamento do BadeSaba Calendar, app popular entre iranianos, exibe mensagens de guerra psicológica; relatório da Apura classifica como ataque de supply chain, atribuído a Israel

Aplicativo é bastante popular no Irã entre o público religioso, apoiador mais firme do governo dos aiatolás (Reprodução )
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  • O aplicativo BadeSaba Calendar, usado por mais de cinco milhões de pessoas no Irã, foi hackeado no início do conflito e passou a exibir mensagens psicológicas e políticas para os usuários.
  • As mensagens incluíram “A ajuda chegou” e “Hora da vingança” e houve convocações para a resistência; o ataque é classificado como operação de supply chain e guerra psicológica digital, com atribuição ao Israel segundo o Wall Street Journal.
  • O relatório da Apura Cyber Intelligence, divulgado com exclusividade à EXAME, aponta dezenas de grupos envolvidos e centenas de incidentes em poucos dias, incluindo ataques de DDoS, ransomware, espionagem e comprometer aplicativos.
  • O estudo mostra que ataques a serviços digitais populares refletem uma tendência de guerra cibernética que busca interromper sistemas, influenciar narrativas e mobilizar populações.
  • A Apura indica riscos para Brasil e América Latina, ressaltando que houve investidas em setores estratégicos e recomendando monitoramento e proteção contínua de plataformas amplamente utilizadas.

Um aplicativo religioso amplamente usado no Irã foi comprometido no início do conflito na região. O BadeSaba Calendar, com mais de cinco milhões de downloads, passou a exibir mensagens de caráter psicológico e político e convocações para a resistência ao regime dos aiatolás. A ação foi descrita como uma operação de supply chain e de guerra psicológica digital. Dados apontam que o ataque teria sido atribuído a Israel, segundo o Wall Street Journal.

O relatório exclusivo da Apura Cyber Intelligence, divulgado à EXAME, detalha que o episódio mostra a expansão da guerra cibernética para além de infraestruturas tradicionais. Além de interromper sistemas, ataques em plataformas populares visam influenciar narrativas, desinformar e mobilizar populações em contextos de conflito.

A Apura aponta dezenas de grupos envolvidos e centenas de incidentes em poucos dias, incluindo ataques DDoS contra sites regionais, ransomware, espionagem e comprometimento de aplicativos. A empresa destaca a necessidade de monitoramento constante e estratégias de proteção para plataformas amplamente utilizadas pela população.

Implicações para a cibersegurança

Analistas da Apura ressaltam que o uso de apps populares em operações de guerra representa mudança relevante no cenário de segurança. Segundo o estudo, empresas de tecnologia tornam-se alvos de campanhas sofisticadas e demandam proteção robusta para serviços amplamente utilizados.

O documento também traz alerta sobre impactos fora do Oriente Médio. Em relatório conjunto, a Apura destaca centenas de tentativas de intrusion em sistemas digitais de setores estratégicos em diferentes regiões. O Brasil e a América Latina aparecem como áreas de risco potencial, ainda que, até o momento, não tenha ocorrido registro equivalente no território brasileiro.

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