- O ataque em Bondi, na praia, aconteceu em meio a um aumento internacional de ataques inspirados pelo Estado Islâmico em dezembro de 2025, com foco em eventos turísticos e festas.
- Pesquisadores australianos Andrew Zammit e Levi West analisaram as mudanças estratégicas do EI na Austrália e observaram que o ataque se alinha a mensagens de agir por iniciativa própria.
- Naveed Akram, 24 anos, e o pai Sajid Akram, 50, teriam morto 15 pessoas durante uma festa de Hanucá em Bondi no dia 14 de dezembro; Sajid foi morto pela polícia, Naveed foi preso.
- Naveed é processado por 59 acusações, incluindo 15 homicídios, e ainda não apresentou defesa; não há evidências de que os Akram integrem uma célula maior ou recebam ordens de terceiros.
- O relatório aponta que o EI tem dirigido mais ataques contra comunidades judaicas e que a Bondi se alinha à lógica estratégica do grupo, destacando inspirações desde um discurso de janeiro de 2024.
O ataque terrorista de Bondi, na praia australiana, ocorreu em meio a uma escalada internacional de atentados e planos frustrados ligados ao Estado Islâmico. Pesquisadores destacam que o episódio de 14 de dezembro coincidiu com uma onda de mensagens que incentivavam indivíduos a agir por iniciativa própria, seguindo a metodologia do grupo.
O estudo, elaborado pelos especialistas australianos Andrew Zammit e Levi West e publicado no Centro de Combate ao Terrorismo de West Point, analisa as mudanças estratégicas do EI na Austrália antes do ataque. Os autores associam o ataque a uma série de operações frustradas no exterior no mesmo mês, incluindo ocorrências na Alemanha, Polônia, Holanda, Estados Unidos e Turquia, que teriam sido inspiradas ou instigadas pela organização.
Naveed Akram, de 24 anos, e o pai Sajid Akram, de 50, são apontados como autores do tiroteio durante uma celebração de Hanucá na praia de Bondi. Naveed, que sobreviveu ao confronto com a polícia, responde a 59 acusações, entre elas 15 de homicídio e uma de ato terrorista. Sajid foi morto pela polícia no local. A investigação ainda aguarda andamento judicial, com o réu sem ter apresentado defesa.
Segundo o relatório, houve queda de ataques e planos contra países ocidentais entre 2022 e 2023, seguida de uma retomada de ações ligadas ao EI. O grupo teria intensificado esforços após o conflito em Gaza, buscando explorar esse cenário para mobilizar ataques. Uma parcela maior das ameaças recentes mira comunidades judaicas.
Mudanças temáticas e mobilização
Os autores destacam que, desde um discurso de janeiro de 2024, o EI tem usado táticas de mobilização para incentivar ações individuais, mantendo, no entanto, a orientação de atacar com explosivos e armas de fogo. O material também aponta que, em setembro de 2025, houve editoriais que trataram de ataques a congregações judaicas e cristãs, com outros incidentes na mesma linha ocorrendo em Manchester.
A contextualização sugere que o ataque de Bondi se alinha, em termos de alvos e métodos, com os temas de mobilização promovidos pelo EI. Em contrapartida, a polícia federal australiana informou que ainda não há evidências de que os Akrams integrem uma célula terrorista maior ou recebam ordens de terceiros.
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