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Governo prepara programa para recuperar áreas dominadas por facções e cadeias

Decreto cria programa para retomar áreas dominadas por facções, endurecer prisões e fortalecer cooperação entre União e estados, com publicação prevista na próxima semana

Corpos são colocados em praça na Penha no dia seguinte à operação mais letal do RJ - outubro de 2025 — Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo
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  • O governo trabalha em um decreto para recuperar áreas dominadas por facções, com ações federais e estaduais, que deve ser publicado na próxima semana junto com pelo menos seis portarias.
  • O conjunto de textos formará o programa “Brasil contra o Crime Organizado” e visa endurecer regras no sistema prisional e ampliar medidas de combate às facções.
  • O decreto regulamentará a Lei Antifacção e estruturar seis eixos de atuação: enfrentamento ao tráfico de armas; asfixia financeira do crime; proteção da Amazônia e das fronteiras; prevenção da ocupação de territórios; aumento da resolução de homicídios; e melhoria da segurança prisional.
  • Entre as propostas estão mapeamento de áreas conflagradas, retomar o controle do território, proteção nas penitenciárias com bloqueadores de celular e equipamentos de raio‑x, e criação de um centro nacional de inteligência para coordenar ações entre União e estados.
  • Haverá uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Nacional para centralizar ações de segurança, além de medidas para padronizar registros de homicídios, compartilhar bases de dados e fortalecer perícias e polícias científicas.

O governo federal prepara um decreto para estruturar um programa nacional de combate ao crime organizado, com ações de forças federais e estaduais para retomar áreas dominadas por facções e endurecer regras no sistema prisional. O texto, ainda em versão preliminar, será publicado na próxima semana junto com pelo menos seis portarias, para viabilizar a implementação das medidas. O pacote deve chamar-se Brasil contra o Crime Organizado.

A proposta integra a Lei antifacção sancionada pelo presidente Lula no dia 24 de março, com dois vetos. No âmbito federal, o relator da Câmara era Guilherme Derrite e no Senado, Alessandro Vieira, com críticas ao texto original. A ideia é apresentar ações para ampliar o enfrentamento, a investigação e a repressão às atividades das facções.

A implementação depende da adesão dos estados. Os estados que aderirem poderão acessar recursos de fundos federais, fortalecendo o alinhamento entre União e regiões. O Planalto avalia que o tema da segurança pública deve figurar entre as pautas centrais da disputa eleitoral deste ano.

O programa contempla seis eixos de atuação: combate ao tráfico de armas; asfixia financeira do crime organizado; proteção da Amazônia e das fronteiras; prevenção da ocupação de territórios por facções e desocupação de áreas já ocupadas; melhoria dos índices de esclarecimento de homicídios; e reforço da segurança no sistema prisional.

O decreto prevê mapeamento de áreas conflagradas e de regiões vulneráveis à entrada de facções, para orientar ações de retomada de controle. Em termos penitenciários, a proposta propõe estender o padrão de segurança das prisões federais a unidades estaduais, com bloqueadores de celular, raio-x moderno e revistas mais eficientes, buscando impedir ordens de detentos em liberdade.

Além disso, está prevista a criação de um Centro Nacional de Inteligência para coordenar ações entre a União e os estados dentro das penitenciárias. O governo também pretende instituir uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Nacional, com uma estrutura centralizada para articular investigações entre diferentes órgãos de segurança pública.

Pontos adicionais incluem o aumento na taxa de resolução de homicídios e a padronização de registros, bem como o intercâmbio de bases de dados e o fortalecimento das polícias científicas e perícias estaduais. Dados do Instituto Sou da Paz indicam que apenas 36% dos homicídios são esclarecidos no Brasil, bem abaixo da média mundial de 63%.

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