- A guerra entre facções do cartel de Sinaloa já dura mais de um ano e meio, alimentada por armas vindas dos Estados Unidos, especialmente do Arizona, que se tornou a principal origem de armas apreendidas no México.
- Em dois mil e vinte e quatro, sessenta e dois por cento das armas apreendidas no México e ligadas a compras recentes nos EUA vieram do Arizona.
- O conflito ganhou impulso após a detenção de Ismael “El Mayo” Zambada em julho de dois mil e vinte e quatro, com uma facção de Zambada em luta contra filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán.
- Aproximadamente cinco mil pessoas já morreram ou estão desaparecidas, e as armas apreendidas em Sinaloa correspondem a cerca de vinte por cento do total no país.
- O México processa cinco lojas de armas no Arizona por facilitar o tráfico; autoridades apontam o Arizona como rota de contrabando de armas e também de fentanyl para os Estados Unidos.
Estados Unidos é apontado como a origem dominante de armas usadas em confrontos entre cartéis no México, especialmente no estado de Sinaloa. O fluxo de armas destinadas a grupos criminosos mexicanos tem se intensificado desde o início da violência entre facções da própria organização, estimulado por compras recentes nos EUA, com Arizona como principal ponto de origem.
Entre as informações disponíveis, 2024 registrou que a maioria das armas apreendidas no México e rastreadas até compras nos EUA vieram de Arizona. Dados indicam que cerca de 62% dessas armas tiveram origem no estado, após cruzarem a fronteira para serem utilizadas em atividades criminosas no país. O quadro reforça a percepção de que o problema supera fronteiras administrativas.
A escalada do conflito no Sinaloa ganhou ênfase após a detenção de Ismael Zambada, fundador do cartel, junto de um filho durante operações internacionais em julho de 2024. A prisão intensificou a rivalidade entre facções lideradas por membros da família Zambada e por herdeiros de El Chapo Guzmán, levando a combates prolongados.
Especialistas ouvidos pela imprensa ressaltaram a dificuldade de mapear o arsenal utilizado pelas facções, incluindo armas, munições e veículos. A administração pública estadual de Sinaloa aponta que o inventário ainda é incerto, com estimativas de grandes somas de armamentos reunidas para a fase atual do enfrentamento.
Desde o início do conflito, autoridades mexicanas já apreenderam quase 5 mil firearms em território de Sinaloa, representando uma parcela relevante do total apreendido no país nesse período. O México mantém leis rígidas sobre armas, com apenas duas lojas legais no território, cujas armas são vendidas pelo aparato militar, o que incentiva o contrabando para o crime.
Organizações de vigilância destacam que Arizona, semelhante a Texas, possui regras de aquisição mais permissivas, o que facilita o uso de chamados compradores-eco para aquisição de armas por terceiros. A prática de straw purchases tem sido associada ao fluxo de armamentos para o México, segundo pesquisadores.
As autoridades mexicanas já moveram ações contra estabelecimentos comerciais nos EUA acusados de facilitar o tráfico de armas. Além disso, autoridades mexicanas e brasileiras reiteraram a necessidade de cooperação para reduzir a circulação de armamentos entre os dois países e o agravamento da violência.
Autoridades de Arizona reconhecem o papel do estado no fluxo de armas para fora do país, bem como a similaridade do problema com o tráfico de fentanyl na região fronteiriça. O contexto é visto como um desafio conjunto: reduzir o envio de armamentos para o México e enfrentar a disseminação de drogas sintéticas na fronteira.
Em meio ao debate, autoridades mexicanas pedem apoio internacional para restringir a importação de armas de uso civil para o público criminal, reforçando a cooperação com investigações transnacionais e o endurecimento de controles para desincentivar o contrabando.
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