- Dados hackeados do Office of Industry Partnership, dentro da Science and Technology Directorate do DHS, mostram financiamento a empresas para ampliar vigilância com inteligência artificial, incluindo vigilância em aeroportos e usos biométricos via celular.
- Um dos projetos propõe que um sistema de IA ingira dados de chamadas 911 em nível nacional e gere mapas geoespaciais para prever tendências de incidentes, o que pode configurar policiamento preditivo.
- O material revela que, de duas décadas, mais de 1,4 mil contratos foram financiados, totalizando cerca de US$ 845 milhões, entre 2004 e fim de 2025, com mais de 6 mil empresas participando de licitações.
- Quatro contratos, somando US$ 699 mil, financiariam tecnologias para vigiar passageiros em pontos de checagem da TSA, com IA analisando imagens de câmeras de vigilância e características físicas.
- Três contratos, totalizando US$ 524 mil, tratam de plataformas de IA que agregariam dados de chamadas 911 para identificar padrões de crime; a Cassius LLC é uma das empresas associadas aos projetos.
A divulgação de dados obtidos por meio de uma infiltração em sistemas do Departamento de Segurança Nacional dos EUA (DHS) revela investimentos significativos em tecnologia de vigilância por inteligência artificial. O material veio do Office of Industry Partnership (OIP), órgão da diretoria de Ciência e Tecnologia do DHS, e mostra contratos para ampliar capacidades de monitoramento.
Os documentos indicam que o OIP financiou empresas para desenvolver sistemas de reconhecimento e análise de imagens em aeroportos, além de adaptar telefones para capturar dados biométricos. O conjunto de dados inclui propostas com visões de uso nacional, inclusive para integrar informações de chamadas de emergência.
Paralelamente, três contratos de 2025 tratam da extração de biometria por meio de celulares, com valores próximos a US$ 175 mil cada. Empresas como Idea Mind, Intellisense Systems e Integrated Biometrics apresentaram soluções de conectividade entre scanners biométricos e smartphones.
Biometria em foco
Entre maio de 2025, o DHS aprovou projetos para tornar disponíveis fora do órgão tecnologias de leitura de impressões digitais, íris e reconhecimento facial via dispositivos móveis. As propostas apontam uso por componentes do DHS, outras agências e parceiros internacionais.
Vigilância em aeroportos
Outros quatro contratos, somando cerca de US$ 699 mil, visam analisar imagens de CCTV em pontos de passagem deanned TSA. Sistemas propostos incluem rastreamento de indivíduos e extração de características como vestuário e acessórios, com extensões para aplicações comerciais.
Policiamento preditivo e dados 911
Ainda em maio de 2025, três contratos totalizando US$ 524 mil tratam de plataformas de IA que agregariam dados de 911 para mapear padrões de incidentes. O sistema mais abrangente, Cassidy LLC, planeja um data lake com IA para prever tendências e orientar respostas.
O material também traz um registro de mais de 6.800 empresas que bidiram com o OIP e mais de 1.400 contratos financiados, totalizando cerca de US$ 845 milhões desde 2004. O objetivo do SBIR é transformar pesquisa pública em negócios sustentáveis.
Observações e contexto
A divulgação ocorreu via jornalistas que acessaram dados leakes e obtidos por um grupo de transparência. O DHS não respondeu imediatamente a pedidos de comentário, e houve críticas de especialistas sobre viés e impactos de medidas de vigilância baseadas em IA.
A divulgação ressalta o peso de investimentos privados na agenda de segurança interna dos EUA, em meio a questionamentos sobre eficácia, privacidade e eventual uso de tecnologias de monitoramento em larga escala.
Entre na conversa da comunidade