- Washington avalia enviar forças especiais para o Irã com o objetivo de garantir o estoque de urânio altamente enriquecido (UHA) que, segundo especialistas, poderia render pelo menos 10 ogivas nucleares.
- O material agregado, estimado em cerca de 440 kg, representa a principal ameaça nuclear, pois pode ser transformado em urânio apto para armas com relativa facilidade.
- Segundo Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, cerca de 200 kg de UHA estariam em túneis profundos no complexo nuclear perto de Isfahan, com outra quantidade em Natanz, onde fica a instalação fortificada Pickaxe Mountain (Kuh-e Kolang Gaz La).
- A operação, caso ocorra, exigiria operações terrestres significativas em pelo menos dois locais isolados no interior do Irã, além de equipamentos e proteção para as equipes envolvidas. Especialistas destacam a complexidade e os riscos envolvidos.
- O presidente dos Estados Unidos comentou sobre o desafio, admitindo a possibilidade, mas dizendo que não seria imediato e que, no momento, as tropas não seriam enviadas até que as forças de defesa iranianas estivessem suficientemente enfraquecidas.
O governo dos Estados Unidos estuda a possibilidade de deslocar forças especiais para o Irã com o objetivo de assegurar o estoque de urânio altamente enriquecido (HEU) do país. A informação aponta que esse material poderia permitir a fabricação de pelo menos 10 ogivas nucleares, caso seja extraído, o que eleva o risco nuclear na região. A situação é discutida em meio a tensões alimentadas por ataques anteriores e por entraves diplomáticos.
Especialistas ouvidos mencionam que a operação seria complexa e arriscada, exigindo operações terrestres em áreas profundas do interior iraniano. O HEU está armazenado em canisters resistentes, dentro de instalações fortificadas, com parte dele localizada em áreas próximas a Isfahan e outra em Natanz, segundo avaliações de peritos e observadores.
Marco Rubio, secretário de Relações Exteriores dos EUA, indicou em público que seria necessário agir para retirar o HEU, sem detalhar planos. Relatórios de governos aliados sugerem que Washington e Telavive já discutem cenários de atuação conjunta com forças especiais, caso seja viável e autorizado.
Contexto técnico e operacional
O HEU está na forma de hexafluoreto de urânio, estável a temperatura ambiente e gasoso quando aquecido para processos de enriquecimento. Estima-se que o material esteja em cilindros metálicos enterrados em túneis profundos, dificultando a retirada sem apoio logístico e proteção pesada.
Operações anteriores de forças especiais já foram treinadas para conter ou remover material nuclear de áreas hostis. O uso do Mobile Uranium Facility, desenvolvido pelos EUA, seria uma peça da estratégia, mas sua aplicação exigiria coordenação logística e proteção de longo alcance em pelo menos dois locais.
Autorização do envio de tropas ainda depende de evolução do conflito, e o presidente Donald Trump sinalizou que qualquer ação desse tipo não seria iniciada de imediato, sugerindo que as operações poderiam ocorrer em estágio posterior, caso as condições mudem.
Percepção de especialistas e possibilidades futuras
Analistas destacam que qualquer tentativa de extração direta enfrentaria obstáculos estratégicos, logísticos e de segurança. A possibilidade de explorar opções como monitoramento contínuo ou acordos diplomáticos para diluir ou transferir o HEU tem sido mencionada em fóruns de política nuclear.
Acadêmicos ressaltam que, se o HEU permanecer no Irã, o risco de uso indevido é condicionado a capacidades de vigilância e resposta rápida de autoridades internacionais. Fontes consultadas destacam ainda que, mesmo com monitoramento, cenários de evasões ou ações não autorizadas representam desafios imprevisíveis.
Ao longo de negociações ocorridas antes do início de ações militares, havia diálogos entre EUA, Irã e mediadores regionais para tratar do futuro nuclear. Pesquisadores ressaltam que a solução de longo prazo envolve acordos que garantam a diluição ou remoção segura do HEU, evitando ações de alto risco.
Entre na conversa da comunidade