- Em 2020, Omar Garcia Harfuch, chefe de segurança do México, teve o carro atingido por tiros após carroceria bloquear o trajeto para o trabalho; mais de quatrocentos disparos foram efetuados, e Harfuch voltou fogo, ficando com três ferimentos. Dois guarda-costas e um civil morreram.
- A tentativa foi atribuída a Nemesio Oseguera, o El Mencho, líder do Cartel de Jalisco Nueva Generación, um dos grupos criminosos mais violentos do país.
- Seis anos depois, a morte de El Mencho é descrita como um momento pessoal para Harfuch, que, segundo amigos, ficou devastado pela perda dos guardas.
- Harfuch passou a morar quase permanentemente na sede da polícia e é visto como um possível candidato à presidência, por sua atuação na estratégia de segurança do governo.
- A morte de El Mencho provocou violência em várias regiões do país e elevou a rivalidades entre facções, enquanto aumenta a cooperação entre México e Estados Unidos no combate aos cartéis.
O choque de 2020 continua moldando a atuação de Omar García Harfuch, atual chefe de Segurança e Proteção Civil do México. Em pleno deslocamento para o trabalho, seu veículo foi cercado por um caminhão que o impediu de seguir, enquanto atiradores encapuzados, disfarçados de trabalhadores, o alvejaram com mais de 400 tiros. Harfuch saiu vivo, com três ferimentos de bala.
Na ocasião, dois guarda-costas e um civil foram mortos. O atentado foi atribuído ao Cartel Jalisco Nueva Generación, liderado por Nemesio Oseguera, o El Mencho. Seis anos depois, a morte do cartola é vista por amigos dele como momento de grande impacto emocional para Harfuch, cuja equipe sofreu perdas significativas naquele ataque.
Harfuch não comentou à reportagem. O relato baseia-se em entrevistas com cerca de 12 pessoas próximas, além de analistas de segurança. Quem o conhece afirma que ele dificilmente relaxará as defesas, mesmo com a queda de El Mencho.
Influência e atuação política
Harfuch ganhou destaque na gestão da então prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, que mais tarde se tornou presidente. Em 2019, ele foi promovido a chefe da polícia da capital, após demitir o antecessor em meio a acusações de lavagem de dinheiro. O diretor pediu manter o secretariado próximo e reforçar a disciplina.
Segundo fontes próximas, Harfuch mantém uma rotina cercada de restrições, com visitas a familiares substituídas por atividades no centro de comando. Um amigo de 20 anos de relação descreve a mudança de vida como permanente: grande parte do tempo é passado em dependências, com poucas saídas.
A trajetória familiar de Harfuch também é alvo de debate. O avô, Marcelino García Barragán, foi ministro da Defesa na década de 1960, e o pai, Javier García Paniagua, atuou como senador e liderou uma agência de segurança federal na década de 1970. Essa herança reforça a percepção de que ele ocupa um lugar singular na linha de comando de segurança do país.
Cooperação com os Estados Unidos
A cooperação bilateral com os EUA ganhou destaque, com transferências de alto nível de líderes de cartel para o governo norte-americano. Em momentos iniciais, a promessa era ampliar a cooperação em combate a cartéis por meio de investigações, operações militares e repressão a lavagem de dinheiro. Executivos de agências americanas destacam avanços no intercâmbio de inteligência.
Um ex-funcionário da DEA afirmou, em relato público, ter ficado impressionado com o que viu desde o início das ações coordenadas entre os dois países. As autoridades destacam que a cooperação tem se mostrado inédita em termos de nível de compartilhamento de informações e atuação integrada.
Contexto dos desdobramentos
A morte de El Mencho elevou o perfil de Harfuch e de Sheinbaum na cena nacional, com avaliações entre especialistas de que o exato desfecho do cartel pode influenciar futuras mudanças políticas. O episódio também gerou ondas de violência em algumas regiões, com relatos de confrontos entre facções rivais.
No período, governos locais destacaram que a operação foi precedida de investigações e ataques a células criminosas, com o objetivo de manter a pressão sobre estruturas do crime organizado. O balanço de vítimas e desfechos ainda é objeto de monitoramento pelas autoridades.
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