- Dez filhos e filhas do ministro da defesa Bello Matawalle casaram-se em uma luxuosa celebração de seis dias em Abuja, atraindo grande presença de convidados.
- Entre os presentes estavam o presidente Bola Tinubu, o presidente de São Tomé e Príncipe, o empresário Aliko Dangote e vários governadores e ministros.
- Horas depois, em Benue, homens armados invadiram uma vigília em uma igreja católica, levando nove adolescentes e cobrando trinta milhões de nairas pela libertação.
- Em Kwara, está sendo realizado um funeral de mais de cento e cinquenta mortos em ataque de jihadistas, com tropas enviadas pelo governo ao estado.
- Analistas dizem que o evento expõe contradições entre a agenda de segurança do governo e a participação de líderes em eventos sociais, gerando críticas à gestão de Tinubu.
Um casamento de alto nível em Abuja, envolvendo dez filhos de Bello Matawalle, ministro júnior da defesa, chamou a atenção pela ostentação em meio a uma crise de segurança que atinge o país. O evento, em fevereiro, durou seis dias e mobilizou uma grande presença de figuras políticas e empresariais.
Entre os convidados estavam o presidente da Nigéria, o presidente de São Tomé e Príncipe e o homem mais rico do continente, Aliko Dangote, além de diversos governadores e ministros. A celebração contou com decoração luxuosa e serviços exclusivos para água e bebidas não alcoólicas.
O que ocorreu não ficou restrito ao espaço do casamento. Horas depois, em Benue, homens armados invadiram uma vigília noturna em uma igreja católica, sequestrando nove adolescentes. Os captores exigem 30 milhões de nairas pela libertação.
Contexto de segurança
Ao mesmo tempo, em Kwara, próximo à fronteira com Benin, ocorreu um funeral de massas para mais de 150 pessoas mortas em ataque jihadista, ocorrido quatro dias antes. As vítimas foram sepultadas em uma operação maciça de enterro.
O presidente Bola Tinubu decretou envio de uma brigada do exército para Kwara. O vice-presidente Kashim Shettima visitou Kwara pela manhã do dia seguinte à cerimônia em Abuja, conforme agenda oficial.
Analistas ouvidos pelo jornal destacaram o contraste entre a festa de casamento e a violência que se intensifica no país. Segundo a SBM Intelligence, o grande comparecimento no evento é visto como insensível ao contexto de segurança.
Percepção e consequências políticas
Para Joachim MacEbong, da Control Risks, a impressão é de que a elite busca fortalecer vínculos entre si, antes de tratar das necessidades da população. O comentário ressalta a tensão entre as funções de governo e a agenda de poder político.
O acompanhamento também destaca que, apesar de avanços econômicos elogiados por instituições internacionais, os benefícios não chegam de forma equilibrada, especialmente ao Norte do país, onde o apoio a Tinubu é menor.
Fontes oficiais não responderam a pedidos de comentário sobre a relação entre o casamento e a gestão de segurança. O governo federal manteve o foco em ações contra insurgência e violência.
No fim de 2023, o então ministro da defesa apresentou saída por questões de saúde, em meio a controvérsias públicas sobre o alcance de ataques em várias regiões do país. A composição recente do ministério reflete ajustes estratégicos na área de defesa.
As violações de segurança continuaram após o casamento, com novas ações de violência observadas em Kebbi e Zamfara nas semanas seguintes, segundo a polícia. As autoridades ainda investigam os responsáveis e as motivações dos ataques.
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