- O co-diretor Hamdan Ballal disse que sua casa em Susya, Masafer Yatta, foi atacada por colonos mais uma vez, perto de um ano após o Oscar de No Other Land.
- Segundo Ballal, soldados acompanharam um líder de colonos até a residência, onde houve agressões; o irmão Mohammed ficou sem fôlego e precisou de atendimento médico.
- Familares próximos foram detidos por cerca de três horas em uma base militar antes de serem liberados, depois de uma negativa de identificar-se aos militares.
- O Exército de Defesa de Israel confirmou detenções, mas negou o ataque ou a invasão à casa.
- O contexto envolve o documentário No Other Land, que retrata violência de colonos e do Exército na Cisjordânia, e vem em meio a medidas israelenses recentes na região.
Hamdan Ballal, um dos diretores do documentário premiado No Other Land, relata novo ataque a casa e familiares na Cisjordânia. O episódio ocorreu em Susya, na região de Masafer Yatta, após decisão judicial recente que proibiu não residentes de permanecer na área. Ballal acionou a polícia, mas soldados chegaram primeiro, acompanhados por um líder local dos colonos.
Segundo Ballal, os soldados entraram na casa e agrediram todos que estavam no interior. O ataque aconteceu pouco tempo depois de o pai da família ser alvo de ações dos colonos, que teriam ordenado aos militares a condução das acusações contra parentes. O irmão de Ballal ficou ferido e levado ao hospital com dificuldades respiratórias.
Durante a incursão, familiares de Ballal que estavam numa vila próxima foram impedidos de chegar ao local pelos militares. Dois irmãos, um sobrinho e um primo ficaram detidos em uma base militar por cerca de três horas, antes de serem liberados à noite, em uma estrada utilizada por colonos.
Um porta-voz do Exército de Defesa de Israel confirmou as detenções, mas negou o ataque ao domicílio. Em nota, afirmou que os palestinos detidos não foram obrigados a se identificar e foram liberados em seguida, mantendo que não houve agressão à residência.
No Other Land: o Oscar de melhor documentário mostra a destruição de comunidades palestinas em Masafer Yatta, supostamente com o apoio de setores do exército. O filme ampliou o debate sobre deslocamentos, intimidações e demolições no sul da Cisjordânia, apontando vínculos entre assentamentos, violência e controlo militar.
Medidas recentes do governo e reações internacionais
No domingo, o governo de Israel abriu um registro de terras na Cisjordânia para permitir reivindicações de propriedade por cidadãos israelenses, sendo o primeiro passo desse tipo desde a suspensão durante a ocupação de 1967. Críticos veem violação de tratados internacionais, enquanto alguns aliados ressaltam a necessidade de políticas para segurança.
Movimentos de direitos humanos e um relator da ONU qualificaram a campanha de assentamento como violenta e sistemática. O relatório ambiental e humanitário aponta violações associadas à retirada de comunidades locais e à restrição de atividades agrícolas na região.
Ballal afirmou que a situação em Masafer Yatta segue severa, com ataques a vilarejos e interrupções a atividades agropecuárias. Segundo ele, agricultores não conseguem cultivar nem pastar, sob coordenação entre autoridades e colonos, o que agrava a situação de moradia e sobrevivência na área.
O cineasta disse que, apesar da visibilidade internacional gerada pelo prêmio, as dificuldades enfrentadas pela população local permanecem. Acredita que a exposição pode inspirar mudanças futuras em políticas públicas, especialmente por novas gerações em função de pressões diplomáticas.
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