- Aproximadamente 8 mil mulheres e crianças de mais de quarenta países permanecem em acampamentos no nordeste da Síria desde 2019, vistos como potenciais focos de extremismo.
- O maior campo, al-Hawl, tem sido esvaziado após a retomada de território pela Síria; moradores têm sido levados para Idlib e há relatos de condições de vida precárias e invernos difíceis.
- Nesta semana, some pessoas começaram a retornar aos seus países; Bélgica informou a prisão de uma mulher acusada à distância de pertencer ao Estado Islâmico, e uma mulher albanesa conseguiu chegar à Turquia para solicitar documentos.
- Em al-Roj, famílias tentaram deixar o campo visando retornar à Austrália, mas foram impedidas por falta de coordenação com Damasco; o governo sírio abriu um novo campo para moradores que preferem não sair.
- Especialistas alertam que a repatriação mal coordenada aumenta riscos de recrutamento, tráfico e exploração; a pressão para liberar moradores de al-Roj cresce, com casos como o de Shamima Begum, no Reino Unido.
Do fim de 2019 até hoje, milhares de familiares de combatentes do IS permanecem em campos no nordeste da Síria. Al-Hawl, maior campo, abrigava cerca de 25 mil familiares, incluindo 6 mil estrangeiros, segundo dados de organizações humanitárias. A situação gerou críticas sobre condições de vida e risco de extremismo.
Analistas destacam que o local funcionou como campo de recrutamento ideológico, elevando o temor de uma nova geração de militantes. Com a ofensiva síria que levou o governo a tomar al-Hawl, muitos moradores foram transferidos para Idlib ou retirados por redes de contrabando.
Diversos governos recusaram repatriação, deixando dezenas de milhares de mulheres e crianças isoladas. Em 2019, mais de 40 países tiveram cidadãos retidos; desde então, centenas tentaram retornar, muitas vezes sem coordenação com Damasco ou com as forças locais.
No início de 2026, casos chegaram a diferentes fronteiras: uma mulher belga foi processada à distância por suposto vínculo com o IS, após sair da Turquia. Uma cidadã albanesa, criança sequestrada pelo pai, também conseguiu chegar à Turquia e pediu documentos de viagem.
Conflitos recentes envolvendo al-Hawl e al-Roj mostraram que a gestão das repatriações tornou-se caótica. Em 2026, familiares organizaram uma caravana para retornar a Austrália, mas foram impedidos durante o trajeto por falta de coordenação com Damasco.
Mudança de controle e novos focos de gestão
Desde que o exército sírio assumiu controle de al-Hawl, a gestão desses espaços mudou. Um campo criado para residentes que resistem a deixar a região passou a oferecer acesso à internet e portas abertas, contrastando com a vigilância anterior da SDF.
Especialistas alertam para riscos contínuos: retorno desorganizado pode favorecer recrutamento extremista ou exploração. Há relatos de sequestras e exigências de resgate envolvendo mulheres que escaparam de al-Hawl para Idlib.
Governos ocidentais enfrentam pressão interna para avançar com as repatriações, especialmente de moradores de al-Roj. O caso de Shamima Begum, cidadã britânica que deixou o país ainda jovem, ainda desperta debates sobre naturalização e cidadania.
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