- Em dois mil e vinte e cinco, 1.220 detentos morreram nas prisões da Ecuador, sendo 206 em confrontos entre facções, aumento de oito vezes em relação ao ano anterior.
- As mortes por causas violentas cresceram quatro vezes na comparação com 2024, totalizando mais de 200 óbitos apenas por violência.
- O relatório aponta superlotação de 30,6 por cento em prisões adultas e 15,3 por cento em instalações juvenis, com aumento do contingente carcerário nacional em cento e setenta por cento nos últimos anos.
- O governo atribui parte da violência a operações militares nas prisões, que promoveram transferências de líderes de gangues e a construção de novas prisões, como El Encuentro, modelo apontado pela administração.
- O Litoral Penitenciária, a maior do país, teve cerca de 564 mortes entre janeiro e setembro de 2025; a interdição de visitas e a restrição de itens, como almofadas, são citadas entre as medidas adotadas.
Recentes dados mostram que as mortes em prisões no Equador voltaram a subir em 2025, mesmo com a estratégia de segurança de Noboa. A crise ocorre após anos de violência carcerária que levou à intervenção militar em unidades prisionais.
Segundo informações obtidas pela Reuters via pedido de acesso à informação ao Ministério do Interior, 1.220 detentos morreram no ano passado. Destes, pelo menos 206 foram mortos em confrontos entre facções, alta em relação aos 46 de 2024. Outras mortes atribuídas a doenças, suicídios ou causas indeterminadas somaram 1.014.
Aumento expressivo também ocorreu em óbitos por violência, que subiram quatro vezes em relação a 2024. O conjunto de mortes por causas naturais ou não especificadas registrou um salto de 256%, elevando o total para o patamar mais alto desde 2021.
Contexto e resposta do governo
O governo reconhece o problema do superlotamento carcerário e afirma estar adotando ações de saúde, com triagens médicas e atendimento clínico. Relatos de familiares de presos e organizações de direitos humanos apontam condições precárias, com violência, tuberculose e higiene deficitárias agravadas pela intervenção militar.
Oficiais indicam que operações militares desmontaram redes criminosas internas e fecharam espaços como clubes noturnos e uma piscina privada dentro de prisões. Também houve transferência de presos de alta periculosidade para novos complexos, incluindo El Encuentro, prisão de alta segurança inaugurada por Noboa.
Entretanto, o Ministério do Interior não detalhou o contexto técnico citado para justificar o aumento de mortes. A pasta também não respondeu a perguntas sobre comparações com períodos críticos anteriores.
Superlotação e condições de vida
A superlotação é citada como fator-chave pela administração, com estimativas oficiais apontando 30,6% de lotação acima da capacidade adulta. Em 2025, as instalações para menores não mostraram superlotação, mas atingiram 15,3%. O aumento da população carcerária nacional, 7,6% no ano, é atribuído a mais prisões e a penas mais longas.
Relatos de familiares apontam insalubridade, alimentação inadequada e suposta violência institucional. A ouvidoria de direitos humanos informou ter encaminhado denúncias ao Ministério Público sobre condições nas prisões.
Movimentações e instalações especiais
O governo destaca que mudanças estruturais incluem a construção de novas prisões para melhor manejo de presos violentos. Além disso, arrestos e transferências de lideranças de facções ocorreram para mitigar o controle do crime dentro dos estabelecimentos.
A imprensa informou que autoridades planejam ampliar o modelo de El Encuentro para atender um contingente de mais de 15 mil detentos, com conclusão prevista para 2027. Um ponto de controvérsia é a restrição de visitas e de direitos processuais para detentos em unidades de alta segurança.
Perspectivas
As autoridades ressaltam que ações militares e estruturais devem reduzir a violência em prisões, conforme dados oficiais. Organizações de direitos humanos pedem melhoria de condições, transparência e investigação independente de denúncias de maus-tratos.
A complexidade da situação permanece, com dados divergentes entre a avaliação oficial e as informações de familiares e entidades independentes. A Reuters mantém a cobertura para acompanhar novas informações sobre incidentes, políticas públicas e impactos sobre os direitos humanos.
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