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Chefe da espionagem alemã pede mais liberdade para enfrentar ameaças

Chefe da Agência Federal de Inteligência defende maior espaço de ação para enfrentar ameaças híbridas russas e reforçar a segurança

Incoming president of BND Martin Jaeger speaks, on the day of the handover of the office, in Berlin, Germany, September 11, 2025. REUTERS/Liesa Johannssen/Pool/File Photo
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  • O chefe da Agência Alemã de Inteligência Exterior (BND), Martin Jaeger, pediu mais liberdade operacional para enfrentar ameaças híbridas vindas da Rússia.
  • Jaeger afirmou que a ameaça híbrida é real e que o serviço deve passar a atuar de forma mais proativa, não apenas observar.
  • A Alemanha teria identificado uma operação de influência ligada à Rússia, com uso de pesquisa pseudo-investigativa, deepfakes e testemunhos fabricados antes das eleições federais do ano passado.
  • Também foram registrados 321 atos de sabotagem na Alemanha no ano anterior, muitos possivelmente ligados à Rússia.
  • O chanceler Friedrich Merz anunciou que os serviços de inteligência serão fortalecidos como parte de um esforço maior para reconstruir as forças armadas e ampliar a resiliência diante das ameaças russas, com um projeto de lei em debate no parlamento para permitir ações mais ativas.

Martin Jaeger, chefe do BND, afirmou na Munich Security Conference que a Alemanha deve ampliar a atuação de seus serviços de espionagem no exterior e no interior para enfrentar ameaças híbridas, principalmente vindas da Rússia. Segundo ele, o país precisa abandonar a postura puramente observadora e adotar medidas ativas de resposta.

Jaeger destacou que já houve uma operação de influência com ligações à Rússia antes das eleições federais do ano passado, envolvendo pesquisas investigativas simuladas, deepfakes e declarações falsas de testemunhas em várias plataformas. O responsável pelo BND também informou que a polícia registrou 321 atos de sabotagem na Alemanha no ano anterior, muitos possivelmente ligados a Moscou.

> Ameaças híbridas exigem resposta direta, afirmou Jaeger, que participou de um painel no evento em Munique. A ideia é que o serviço passe a atuar de forma mais operacional para coibir esse tipo de risco.

A crise de desinformação é um tema recorrente entre autoridades ocidentais desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, e desde a invasão da Ucrânia em 2022, segundo Jaeger. O governo alemão tem considerado ajustes legais para ampliar os poderes das agencias de inteligência.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, reiterou, durante a conferência, que a Alemanha fortalecerá seus serviços de inteligência como parte de um plano mais amplo de reconstrução das forças armadas e de resiliência diante da ameaça russa. Merz ressaltou a defesa de uma ordem democrática livre, porém não especificou novos detalhes.

O Bundestag mantém um debate sobre um projeto de lei que permitiria às agências atuar com mais liberdade, frente às regras rígidas atuais. A reforma visa equilibrar a necessidade de prevenir ameaças com salvaguardas legais e democráticas.

Fontes: autoridades presentes na Munich Security Conference, com contexto sobre ações de disinformação associadas a interesses russos e debates político-legais na Alemanha.

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