- O estudo do Instituto Sou da Paz, em parceria com o Instituto Igarapé, aponta que 73% das solicitações sobre o controle de armas não foram respondidas pelas polícias estaduais entre 2021 e 2023.
- Ao todo foram enviadas 23 perguntas às Polícias Militares, Civis e aos Departamentos de Polícia Técnico-Científica de todos os estados, em três categorias: entrada e saída de armas, investigações e controles internos.
- As polícias estaduais são responsáveis por mais de 90% das armas apreendidas no país, com a Polícia Federal respondendo a menos de 10% do total.
- Em 2023 nenhum estado atingiu nível alto de transparência; a avaliação variou entre opaco, muito baixo, baixo e médio, sem pontuação alta.
- Entre as recomendações, estão a criação de um sistema nacional unificado de registro de armas apreendidas, padronização da coleta de dados e fortalecimento de inventários internos para reduzir desvios.
As polícias estaduais ignoraram a grande maioria dos pedidos de informação sobre o controle de armas de fogo no Brasil. Um levantamento do Instituto Sou da Paz, em parceria com o Instituto Igarapé, aponta que 73% das solicitações não receberam resposta, entre 2021 e 2023.
Foram 23 pedidos enviados às Polícias Militares, Civis e aos Departamentos de Polícia Técnico-Científica de todas as 27 unidades federativas. As perguntas cobriram três áreas: controle de entrada e saída de armas, investigações e controles internos.
A pesquisa mostra que as Polícias Civis responderam a apenas 22% das solicitações, enquanto as Militares responderam a 30% e os DPTCs, a 34%. Os dados indicam baixa transparência no manejo de armas e munições no país.
Transparência sob escrutínio
A análise classifica estados conforme a disponibilidade de informações: nenhum atingiu o nível alto de transparência, e 0% ficou em bom. Em 2023, Acre, Amapá e Piauí ficaram como opacos (0 ponto), com outras unidades em faixas muito baixo a baixo.
Os pesquisadores destacam que as polícias estaduais são responsáveis por mais de 90% das armas apreendidas no Brasil, enquanto a Polícia Federal responde por menos de 10%. A conclusão aponta que a transparência é essencial para fiscalização democrática.
A diretora-executiva do Sou da Paz, Carolina Ricardo, afirma que a transparência de dados é fundamental para políticas de controle de armas eficazes e para o monitoramento institucional.
Recomendações para melhoria
O estudo recomenda fortalecer o registro nacional de armas apreendidas, padronizar informações sobre circulação e origem, e ampliar a cooperação entre poder público e sociedade civil. Também sugere controles internos mais robustos e inventários em tempo real.
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