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Aplicativo de reconhecimento facial do ICE e CBP não verifica identidades

Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) e Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) usam reconhecimento facial que não verifica identidades com precisão, já empregado mais de 100 mil vezes

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Photograph: Michael Siluk/Getty Images
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  • O aplicativo de reconhecimento facial Mobile Fortify, usado por agentes de imigração dos EUA, não consegue confirmar a identidade das pessoas de forma confiável e foi utilizado mais de 100 mil vezes.
  • O DHS lançou o Fortify na primavera de 2025 com o objetivo de “determinar ou verificar” identidades durante abordagem de fiscalização, de acordo com registros analisados pela WIRED.
  • O app não verifica, de fato, identidades, apesar de o DHS ter vinculado a ferramenta à identificação facial; isso se deve às limitações da tecnologia e ao modo como é usado.
  • A aprovação apressada do Fortify, em maio passado, ocorreu após a suspensão de avaliações de privacidade centralizadas e de limites departamentais, mudanças realizadas por um ex- advogado da Heritage Foundation.
  • Há relatos de uso da ferramenta para escaneamento de faces de cidadãos americanos e de pessoas que observavam ou protestavam enforcement, com pouca transparência sobre funcionamento e uso.

Mobile Fortify, ferramenta de reconhecimento facial da federal DHS, foi lançada na primavera de 2025 para tentar identificar pessoas detidas ou paradas durante operações federais. O objetivo declarado era determinar ou verificar identidades, mas especialistas e documentos indicam que a ferramenta não está apta a confirmar identidades de forma confiável.

Segundo registros, o DHS aprovou o uso do Fortify após mudanças que reduziram revisões de privacidade e eliminaram limites departamentais. A autorização ocorreu sob um conjunto de diretrizes associado a uma ordem executiva assinada pelo presidente no início de seu mandato, visando endurecer medidas contra imigrantes irregulares.

Limitações técnicas

A tecnologia não oferece verificação positiva de identidade, apenas indícios que geram pistas para investigações. Especialistas destacam que fabricantes, órgãos de polícia e políticas públicas reconhecem falhas e indicam o uso apenas para gerar linhas de investigação, não como confirmação definitiva.

Relatórios indicam que o DHS tem utilizado o Fortify para escanear rostos de pessoas não apenas identificadas como alvo, mas também cidadãos dos EUA e pessoas que participavam de protestos ou observavam ações de fiscalização. A prática levanta questões sobre privacidade e limites de aplicação.

Impacto e uso no campo

Em processo federal movido neste mês, advogados do Estado de Illinois e da Cidade de Chicago afirmaram que o aplicativo foi usado no campo mais de 100 mil vezes desde o lançamento. Casos anteriores relatam identificações equivocadas que envolveram pessoas em situação vulnerável durante abordagens.

Testemunhos de agentes, em ocasiões anteriores, descrevem situações em que a foto coletada levou a identificações duvidosas, com consequências para pessoas detidas. Em alguns exemplos, a correspondência entre o rosto registrado e a identidade apresentada não foi confiável, segundo relatos de campo.

Desdobramentos e transparência

A DHS não detalhou metodologias e ferramentas específicas empregadas pelos agentes, apesar de solicitações de autoridades de fiscalização e organizações de privacidade. Observadores apontam que as alterações administrativas facilitaram a implantação rápida de tecnologias de reconhecimento facial sem revisões institucionais rigorosas.

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