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Brasil precisa mudar estratégia contra infiltração do crime organizado, diz HRW

HRW recomenda reformulação ampla da segurança pública para enfrentar infiltração de facções no poder público, com impacto na eleição e na confiança institucional

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Placa de trânsito na RR-205, que dá acesso a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, pinchada com sigla do PCC. — Foto: Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Reprodução
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  • A Human Rights Watch, no Relatório Mundial de 2026, afirma que o Brasil precisa reformular políticas de segurança para enfrentar o crime organizado e sua infiltração no Estado, incluindo a influência de facções em político local.
  • O órgão recomenda investigações aprofundadas e baseadas em inteligência para identificar vínculos entre criminosos e pessoas do poder público.
  • Entre as sugestões, estão medidas baseadas em ciência e dados para desmantelar facções, proteção aos direitos da população e dos policiais, priorização da investigação policial, independência das perícias e melhor coordenação entre federal e estadual para combater tráfico de armas, lavagem de dinheiro e fontes de renda das facções.
  • Relatos apontam tentáculos do Primeiro Comando da Capital no transporte público e no mercado de combustíveis; há casos de uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro.
  • A segurança pública é uma das maiores preocupações dos brasileiros, com 41% citando crime e violência como principal tema; o relatório ressalta que o tema poderá influenciar a eleição de outubro.

A Human Rights Watch (HRW) afirma que o Brasil precisa revisar suas políticas de segurança para enfrentar o crime organizado e sua infiltração no aparato público. O alerta consta no relatório mundial de 2026, divulgado nesta quarta-feira. A seção dedicada ao Brasil destaca a necessidade de reformas amplas.

Segundo a HRW, a infiltração de facções criminosas em agentes públicos e, em alguns casos, em políticos locais, compromete instituições. A organização recomenda investigações aprofundadas com base em inteligência para mapear vínculos entre criminosos e membros do poder público.

Ainda conforme o relatório, é essencial reduzir a dependência de estratégias militares no combate ao crime. A HRW aponta que opções centradas na proteção de direitos e na investigação policial criteriosa trazem maior efetividade e menos violência.

Recomendações da HRW

A HRW sugere políticas baseadas em ciência e dados para desmantelar grupos criminosos. Entre as propostas estão: fortalecer direitos da população e dos policiais, priorizar investigações, assegurar independência de perícias e melhorar a coordenação entre esferas federal e estadual.

O documento cita ações para combater tráfico, lavagem de dinheiro e fontes de renda das facções, como o PCC, que aparecem em setores como transporte e combustíveis. A HRW também enfatiza proteção aos direitos humanos durante as operações.

Contexto nacional e eleição

A segurança pública tem sido tema de preocupação constante no Brasil, com 41% das pessoas citando crime e violência como principais problemas em pesquisas recentes. O tema deve ganhar peso na campanha presidencial de outubro.

O relatório aponta que operações que elevam a violência, inclusive por agentes, ocupam lugar relevante nas estatísticas. A HRW defende que o Brasil adote propostas sérias, baseadas em dados, para desmantelar organizações criminosas sem comprometer direitos.

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