- O Plano Nacional Pena Justa, lançado em fevereiro de 2025, propõe ampliar alternativas ao cárcere, como monitoramento eletrônico, e reorganizar a execução de penas em quatro eixos.
- Especialistas veem tendência de atenuar o desencarceramento em 2026, com o tema ganhando menos tração no ano eleitoral, apesar do governo dizer que o cronograma permanece.
- O monitoramento do CNJ aponta avanços modesta e desigualdade entre estados: apenas 12,4% dos indicadores no bloco federal; variações entre 30% e 38% nos estados.
- No âmbito político, o PT pode enfrentar dificuldade para defender medidas de redução penal, buscando não perder apoio de sua base em meio à pressão por segurança pública.
- Cada estado deve criar planos regionais alinhados às diretrizes nacionais, mas o avanço em 2025 foi considerado limitado pelos especialistas.
O plano de desencarceramento em massa, batizado Pena Justa, pode perder força em 2026, segundo especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo. O governo afirma que a iniciativa segue o cronograma e não sofrerá mudanças no próximo ano. A proposta visa soltar criminosos com menor potencial ofensivo, especialmente por crimes não violentos, em meio à crescente preocupação com a segurança pública.
Especialistas apontam que o tema já perde concentração de esforço em 2025. Pesquisas indicam que a segurança é a principal preocupação do brasileiro, com 38% das menções na Quaest. O cenário é visto como pressão para mostrar respostas objetivas, sem abrir mão de medidas de endurecimento, se houver reeleição.
Doutora em Direito Público celebra o peso político da pauta de segurança. Ela alerta que o governo pode recuar em temas de “direito penal mínimo” durante o ano eleitoral, mantendo o tema no radar para 2026, caso haja reversões políticas.
Como o plano foi lançado
Em fevereiro de 2025, o Pena Justa foi lançado com participação de ministérios, CNJ e mais de cem instituições. O STF reconheceu um estado de coisas inconstitucional no sistema prisional, o que embasou a proposta. O CNJ acompanha a execução e sinaliza limitações atuais.
O objetivo é reformular a aplicação de penas para reduzir o encarceramento excessivo, com foco em garantir condições mínimas de dignidade nas unidades e ampliar alternativas à prisão, como monitoramento eletrônico. Estados e DF devem adaptar as diretrizes à realidade local.
Entre as ações, o plano prevê educação universal, oportunidades de trabalho para presos e egressos, além de parcerias com instituições públicas para facilitar microcrédito e empreendedorismo. O objetivo é reduzir a reincidência e quebrar ciclos de marginalização.
Implementação e dificuldades
O Pena Justa organiza-se em quatro eixos: controle de vagas, melhoria das condições prisionais, reforço da reintegração social e mecanismos para evitar violações repetidas. O Ministério da Justiça diz que o plano fortalece carreiras penais e investe em saúde mental de servidores.
Entretanto, a implementação avança lentamente. O CNJ aponta que, no bloco federal, apenas 12,4% dos indicadores foram cumpridos; entre estados, a execução varia de 30% a 38%. A consolidação completa só deve ocorrer em fevereiro de 2026.
Criminalistas e analistas ressaltam a complexidade de impor políticas nacionais diante da federação. Atribuem atraso à necessidade de cooperação com estados e destacam risco de descarte de metas em ano eleitoral.
Perspectivas para 2026
Analistas veem a segurança pública como tema dominante nas campanhas de 2026. O PT pode enfrentar dificuldades para defender medidas de desencarceramento, já que a população tende a cobrar respostas mais duras. A depender do cenário, o governo pode optar por manter o plano em ritmo lento.
Defendentes do endurecimento destacam que soluções de curto prazo são prioritárias para reduzir violência. No entanto, o governo aponta que o Pena Justa busca equilíbrio entre liberdades e responsabilização, com ênfase na prevenção e na reintegração.
Visão institucional
O Ministério da Justiça afirma que o Pena Justa está alinhado à Lei de Execução Penal e às decisões do STF. A pasta ressalta a participação de milhares de contribuições na elaboração e mantém a meta de avançar com responsabilidade técnica, mesmo diante de tensões políticas.
O CNJ, por sua vez, continua monitorando o andamento com dados parciais, lembrando que a consolidação plena virá com validação de dados em 2026. O STF não comementou sobre o tema neste momento, apenas encaminhou que o CNJ permaneça como órgão técnico e de acompanhamento.
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