- Irã mudou radicalmente sua estratégia de redes sociais, lançando uma guerra de informação para ampliar a pressão moral sobre os EUA e Israel.
- Especialistas afirmam que as operações de influência externa se aceleraram, em uma campanha assimétrica que busca complementar retaliação militar.
- As ações visam plataformas como X, Instagram e Bluesky, com conteúdos que exploram a popularidade da guerra nos EUA e memes que zombam de Trump e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
- A operação inclui vídeos e imagens gerados por inteligência artificial, além de tentativas de desinformação sobre ataques e danos envolvendo alvos americanos e israelenses.
- Analistas dizem que o esforço cibernético se tornou parte central da estratégia de sobrevivência do regime, ao lado de retaliação militar e do fechamento de parte da internet no país.
Iran muda estratégia de mídia social para intensificar guerra de informação
O regime iraniano passou a operar uma campanha de influência de alto alcance, com foco em guerra de informações, visando pressionar os EUA e Israel. A opção é apresentada como resposta aos ataques militares promovidos pelos dois países contra o Irã. Especialistas apontam que as ações buscam complementar a retaliação militar com pressão moral e opinião pública internacional.
Segundo estudos recentes, as operações estrangeiras de influência do Irã ganharam ritmo e viraram uma frente “assimétrica”. O objetivo é explorar a rejeição interna ao conflito nos Estados Unidos e em aliados, mantendo o momentum da narrativa oficial. As ações incluem divulgações em plataformas como X, Instagram e Bluesky, com mensagens direcionadas a diferentes segmentos.
Foi observado um reposicionamento de conteúdos, deixando de lado temas de escopo regional para priorizar um único tema central: o apoio à linha do governo diante da ofensiva contra Israel e o que é apresentado como agressão externa. Além de textos, circulam vídeos criados por inteligência artificial e memes que atacam líderes adversários, entre eles o premiê de Israel.
A campanha também utiliza conteúdos que simulam avanços militares e danos em alvos estratégicos, tanto em redes quanto em redes de emojis visuais. Tais materiais ganharam maior circulação após o início dos ataques, ampliando a desinformação em ambientes com grande base de usuários que apoiam o governo.
Esses movimentos ocorrem em meio a relatos de mais de censuras à internet no Irã, com o governo preparando punições para quem utilizar internet via satélite, como a Starlink. Expatriados iranianos relatam recebimento de ligações ou avisos online para não veicular mensagens contrárias ao regime, sob a ameaça de perder a cidadania ou enfrentar retaliações a familiares.
Analistas veem a estratégia como parte de uma plataforma de sobrevivência do regime, associada à resposta militar e ao controle do estreito de Hormuz. A equipe de pesquisa da Clemson University aponta que a ofensiva digital já substituiu, em muitos casos, operações anteriores voltadas a estimular discordâncias políticas na Grã-Bretanha e nos EUA.
A reportagem também destaca que conteúdos supostamente autênticos, criados para parecerem de contas de trolls regionais, passaram a atacar símbolos de ataque ao Irã e a justificar o conflito. Em alguns casos, conteúdos de fontes oficiais iranianas passaram a ser veiculados por embaixadas e agentes prostados em redes sociais, ganhando ampla visibilidade.
Especialistas ressaltam que o objetivo é explorar fissuras na debate político americano para ampliar críticas ao conflito. A mudança de foco inclui a amplificação de mensagens associadas a figuras conservadoras e a suposta centralização de responsabilidade sobre a escalada do conflito, segundo análises de pesquisadores e especialistas em influência digital.
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