- A Organização Mundial da Saúde informou mais de oitenta mortes suspeitas na República Democrática do Congo por um surto de ebola.
- A cepa em questão é a Bundibugyo, que não possui tratamento ou vacina aprovados disponíveis.
- O epidemiologista Neil Vora alerta que, apesar de não parecer haver risco imediato de pandemia, os componentes para enfrentar uma pandemia não estão prontos entre os países.
- Segundo Vora, o acordo global sobre pandemias, que buscava partilhar ferramentas como vacinas, ficou parado pela falta de adesão das nações.
- Medidas podem ser tomadas agora, como a proibição de fazendas de peles na União Europeia; em 2020, Dinamarca abateu 17 milhões de animais criados em fazendas de pelagem por risco à saúde pública.
O epidemiologista Neil Vora alerta que é preciso agir agora para evitar pandemias tendo a origem no surto atual. Em recente episódio do Mongabay Newscast, ele comenta a gripidez de ameaças interligadas: doenças zoonóticas, desmatamento e impactos na biodiversidade, em meio a um surto de Ebola na DRC.
A Organização Mundial da Saúde classificou as mortes súbitas como um surto de Ebola no Congo, com mais de 80 óbitos suspeitos, entre a República Democrática do Congo e Uganda. Vora destaca que a cepa Bundibugyo é particularmente perigosa, pois não há tratamento ou vacina aprovados disponíveis.
Para o especialista, o risco de uma pandemia é acentuado pela falta de preparo dos Estados-membros da OMS. Segundo ele, o acordo pandêmico proposto para compartilhar ferramentas como vacinas ainda não vingou, deixando lacunas cruciais na coordenação global.
Vora aponta medidas que podem reduzir o risco já, entre elas a proibição de fazendas de peles no bloco europeu. O executivo lembra o caso dinamarquês de 2020, quando 17 milhões de visons foram abatidos após o salto de um coronavírus; o país suspendeu temporariamente a criação de visons, mas a atividade foi retomada desde então.
O tema é enfatizado pela Preventing Pandemics at the Source Coalition, organização da qual Vora é diretor executivo. A origem do problema, segundo ele, está no consumo de animais de crina, no desmatamento e na circulação rápida de patógenos entre fauna e humanos.
A entrevista também aborda que, embora os dois surtos de vírus zoonóticos citados não indiquem probabilidade de pandemia, a preparação global continua insuficiente. Vora afirma que medidas de controle zoonótico e vigilância contínua são essenciais para evitar crises maiores no futuro.
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