- Pesquisa da Royal College of Nursing mostra que dois terços dos enfermeiros acreditam que há poucos profissionais para manter pacientes seguros.
- Mais de treze mil enfermeiros participaram; 64% disseram que o número de profissionais na última escala estava abaixo do necessário.
- Vinte e dois por cento disseram que a equipe em plantão estava “bem abaixo” do necessário, comprometendo cuidados e aumentando o risco.
- Numa abertura de congresso, a executiva-chefe Nicola Ranger vai pedir aos ministros que criem níveis mínimos obrigatórios de enfermagem.
- O NHS enfrenta cortes de serviços previstos neste ano devido a restrições orçamentárias, com a maioria dos gestores esperando impactos na assistência.
A equipe da Royal College of Nursing afirma que a escassez de enfermeiros aumenta o risco para pacientes. Em estudo com mais de 13 mil profissionais, cerca de dois terços disseram que a quantidade de enfermeiros por turno ficou abaixo do necessário para garantir atendimento seguro. A pesquisa envolve hospitais e serviços comunitários no Reino Unido.
A entidade destaca que o envelhecimento da população eleva a demanda por cuidados complexos, criando uma combinação perigosa para pacientes frágeis. Em mais de 20% das escalas analisadas, o número de enfermeiros em serviço ficou significativamente aquém do necessário, resultando em cuidados comprometidos e maior risco de danos aos pacientes.
O estudo aponta casos de turnos em que a equipe considerou o atendimento inseguro, com relatos de situações em que a deficiência de recursos dificultou a prevenção de danos evitáveis. A organização solicita que o governo estabeleça salários mínimos obrigatórios para equipes de enfermagem com o objetivo de reduzir os déficits.
Profissionais e executivos da RCN devem abrir, nesta segunda-feira, a congressa anual com propostas voltadas a políticas de contratação. A instituição destaca que a carência de enfermeiros é uma prática insegura já presente antes da atual conjuntura de demanda elevada.
Entre os relatos de prática clínica, pacientes idosos com múltiplas condições estão entre os grupos mais vulneráveis diante da falta de pessoal. A organização ressalta que o cuidado de pacientes de alta idade requer supervisão próxima, o que nem sempre é viável com a atual escala de enfermeiros.
Dados oficiais divulgados pela RCN indicam que o crescimento da força de trabalho de enfermagem desacelerou no último ano, chegando ao menor ritmo em oito anos. Em comparação, a contratação de médicos no NHS inglês avançou mais rapidamente na última década, ampliando a diferença entre as duas áreas.
O Ministério da Saúde e Cuidados Sociais (DHSC) respondeu aos ataques, ressaltando o papel dos enfermeiros e o investimento recente. A resposta afirma que foram recrutados cerca de 16 mil profissionais desde julho de 2024 e adianta um plano de força de trabalho para os próximos 10 anos, com foco em melhores condições de trabalho, treinamento de qualidade e atuação mais gratificante.
Ao mesmo tempo, autoridades de gestão NHS da Inglaterra alertaram sobre a necessidade de cortes profundos nos serviços neste ano devido a limitações orçamentárias. Uma pesquisa com líderes de trusts de saúde mostra que 64% esperam reduzir serviços, enquanto 83% temem impactos financeiros na assistência prevista e 78% citam efeitos na emergência.
O chefe-executivo da NHS Alliance reiterou que, apesar de avanços como menor tempo de espera e maior satisfação pública, o serviço pode enfrentar encerramentos de serviços e demissões neste ano se não houver incremento de recursos. A organização enfatiza que o financiamento adequado continua essencial para a qualidade do atendimento.
Em resposta, o DHSC argumenta que o governo mantém investimento recorde na NHS, com ganhos em produtividade e avanços tecnológicos. Segundo o ministério, a fila de espera está no menor nível em mais de três anos, com mais de meio milhão de pessoas a menos aguardando tratamento desde julho de 2024. A rede também ampliou diagnósticos comunitários, hubs cirúrgicos e consultas de GP para acelerar atendimentos.
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