- A taxa de abortos nos EUA permaneceu estável em 2025, com cerca de 1,126 milhão de procedimentos, após leve alta em relação a 2024.
- O avanço ocorre principalmente por viagens entre estados e pelo aumento de consultas por telemedicina, com recepção de pílulas enviadas pelo correio.
- Em 2025, 142 mil pessoas viajaram para obter abortos, queda em relação a 2024 e a 2023; quase metade eram residentes de estados com proibições totais.
- Leis de proteção aos profissionais de saúde, chamadas de shield laws, ajudam a ampliar o acesso, embora disputas judiciais sobre o tema continuem. A FDA avalia possíveis restrições à telemedicina para mifepristona.
- Com bans em muitos estados, o acesso via telemedicina ou deslocamento permanece como duas vias principais, já que algumas pessoas optam por consultas remotas enquanto outras precisam viajar longas distâncias.
Em meio a proibições parciais e totais ao aborto em diversos estados, a taxa de interrupção da gravidez nos EUA permanece estável. O que mudou é a forma de acesso: mais viagens entre estados e, especialmente, o crescimento de teleatendimento e envio de pílulas pelo correio.
Segundo o relatório do Guttmacher Institute, o total de abortos nos EUA subiu levemente no ano passado, de 1,124 milhão para 1,126 milhão. A variação é considerada pequena diante do cenário de restrições. A prática de telemedicina ganhou espaço, com prescrições remotas para envio de pílulas.
Um ponto-chave do estudo é a ampliação do teleatendimento em estados com proibições totais. Clínicas em estados com leis de proteção a profissionais médicos atendem pacientes de estados com restrições, como Texas e Alabama, via consulta remota.
Especialistas afirmam que as shield laws — leis de proteção aos profissionais — foram decisivas para ampliar o acesso. Elas ajudam a contornar a aplicação da proibição estadual, garantindo cobertura jurídica a quem oferece o serviço.
No levantamento, 142 mil pessoas viajaram entre estados para assistência em 2025, queda em relação a 154 mil em 2024 e 170 mil em 2023. Quase metade dos viajantes vivia em estados com banimento total.
O recuo nas viagens ocorreu principalmente entre residentes de estados com banimento total, com 12 mil pessoas a menos em 2025 ante 2024. Ainda assim, 62 mil pessoas viajaram de estados com proibições para receber atendimento, mais que o dobro de antes da decisão Dobbs.
Outras 47 mil pessoas viajaram em 2025 de estados com limitações de 6 ou 12 semanas de gestação. As estimativas atuais são baseadas em dados de clínicos e não incluem abortos realizados sem orientação médica, o que sugere números maiores na prática.
As consultas via telemedicina ganham força mesmo em estados com proibições parciais ou totais. A prática reduz a necessidade de deslocamento, tornando o acesso mais econômico e rápido, segundo especialistas do Guttmacher Institute.
Ainda assim, especialistas destacam que algumas pacientes preferem atendimento presencial, especialmente em estágios mais avançados da gestação ou quando é necessária a intervenção clínica. A disponibilidade de telemedicina não substitui totalmente a necessidade de cuidado presencial.
O FDA avalia restrições adicionais às prescrições de mifepristona via telemedicina, apesar de o medicamento ter comprovadamente alta eficácia e segurança relativa. Processos judiciais questionam essas regras em várias frentes.
As mudanças no cenário legal aumentam a complexidade para quem busca orientação sobre o acesso a serviços de aborto. Pesquisadores destacam a necessidade de apoio de navegação para entender as opções disponíveis conforme a situação de cada pessoa.
Entre na conversa da comunidade