- Com a NR-1 em vigência plena em maio de 2026, o bem-estar passa a ser tratado como risco ocupacional e as empresas precisam identificar, monitorar e mitigar riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
- Em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, alta de 68% em relação a 2023, o maior volume em pelo menos dez anos.
- O RH passa a integrar gestão de riscos: políticas internas, acompanhamento contínuo e ações preventivas, com liderança capacitada para interpretar dados e decisões sobre bem-estar.
- Canais seguros de escuta e apoio psicológico passam a ser parte das políticas, reduzindo passivos trabalhistas e identificando problemas precocemente.
- Revisa-se metas e carga de trabalho para evitar sobrecarga; até 2026, é preciso estruturar processos, registrar ações e alinhar bem-estar à conformidade legal.
O bem-estar no trabalho deixa de ser benefício e passa a integrar a gestão de riscos das empresas. A mudança é gradual, com a NR-1 em vigor total a partir de 2026, impactando políticas, indicadores e rotinas de gestão.
Dados da Previdência mostram que, em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, alta de 68% frente a 2023. O volume é o maior em pelo menos dez anos, segundo o órgão. O movimento antecede a nova exigência regulatória.
A partir de maio de 2026, a NR-1 passa a exigir identificação, monitoramento e mitigação de riscos psicossociais. A ideia é que o bem-estar deixe o eixo discursivo e vire obrigação formal do setor privado.
Mudança estrutural na gestão de pessoas
Para a fundadora da EMRH Consultoria, Elenise Martins, os dados apontam transformação na gestão de pessoas. “Quando os transtornos mentais viram a principal causa de afastamento, o RH precisa atuar precocemente”, ressalta.
1. Bem-estar vira risco ocupacional
A NR-1 equipara fatores psicossociais a outros riscos mapeados. Estresse, sobrecarga, conflitos e assédio passam a exigir identificação formal e ações preventivas, não apenas reconhecimento.
2. Gestão de riscos amplia saúde mental
O gerenciamento de riscos ocupa não apenas segurança física, mas políticas internas, monitoramento contínuo e ações preventivas ligadas à saúde mental. O RH ganha protagonismo na integração de dados.
Papel das lideranças e canais de apoio
Gestores treinados devem identificar sinais de esgotamento e evitar agravamentos. A liderança, segundo Elenise, complementa os relatórios com observação direta e escuta qualificada.
Ambientes de relato seguro ajudam na detecção precoce. Canais de escuta, apoio psicológico e acolhimento reduzem riscos organizacionais e passivos trabalhistas.
Meta, carga de trabalho e suporte
Metas agressivas e jornadas extensas aparecem entre os principais fatores de adoecimento. Reavaliar metas, redistribuir tarefas e estabelecer limites de disponibilidade reduzem estresse e rotatividade.
O apoio psicológico integrado às políticas de pessoas deixa de ser diferencial. Programas estruturados de atendimento passam a compor políticas para reduzir afastamentos.
Indicadores e preparo para fiscalização
Dados de absenteísmo, clima organizacional e rotatividade funcionam como sinais de alerta. O monitoramento contínuo orienta decisões sobre bem-estar no trabalho e recursos.
O período anterior a 2026 deve concentrar esforços em estruturar processos, registrar ações e alinhar bem-estar com conformidade legal. A adaptação envolve documentação e integração entre áreas.
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