- Em Lisboa, na Travessa da Tapada, número 5A, António Silva assa frango em uma churrasqueira de rua há décadas, atraindo turistas de todo o mundo, especialmente da China.
- O fluxo cresceu após clientes chineses começarem a indicar o local em redes sociais chinesas como Xiaohongshu; hoje surgem filas diárias com visitantes que chegam em ônibus, aviões ou hotéis da região.
- Os pedidos são feitos por telefone, em dinheiro; não há entregas nem presença de redes sociais do proprietário, que não usa internet. O tempero é mantido desde 1979–1980 e utiliza piri-piri de fornecedor tradicional.
- O estabelecimento é simples: corredor estreito, bancada, filé de frango defumado na pele, servido em sacos de papel; o processo envolve preparo cedo, limpeza constante e atendimento de clientes regulares em prioridade.
- Silva planeja aposentar em maio; seus dois filhos não pretendem assumir a loja, deixando no ar o destino do negócio, que permanece movido por uma curiosa combinação de tradição, sabor e turismo internacional.
Em Lisboa, um pequeno estabelecimento na Travessa da Tapada, número 5A, tornou-se ponto de interesse para turistas de várias nacionalidades, especialmente chineses. O local é uma churrasqueira portuguesa simples, sem identificação externa, onde Antônio Silva, de 66 anos, prepara frango assado na brasa.
O segredo do sucesso fica por conta da qualidade do frango, temperado com piri-piri e assado lentamente. A fumaça envolve a vitrine, que permanece visível para quem passa pela rua estreita e sem placas. O atendimento é direto, com pedidos por telefone no antigo disco rotativo.
A atração ganhou destaque na última década após surgir em listas de viagem em língua chinesa. A fila diária se forma diante da porta verde, com visitantes que chegam de aeroporto, hotéis e excursões, muitos carregando malas.
Segundo Silva, a clientela chinesa chegou aos poucos, há cerca de dois anos, passando de alguns clientes a uma demanda expressiva. Um dia, a loja atraiu um influenciador, o que ampliou ainda mais o alcance internacional do local.
A operação é enxuta e familiar. A grelha é acionada por Silva, que também cuida do tempero, dos pedidos e da limpeza. A rotina começa antes do meio-dia e se intensifica à medida que a fila cresce na calçada.
Para os clientes locais, o pagamento costuma ser em dinheiro. Turistas costumam aproveitar a disponibilidade de temperos conhecidos e a experiência de comer na porta, com a fumaça servindo como cenário. A organização prioriza quem já fez pedidos antecipados.
O tempero, mantido há décadas, é preparado com antecedência para potencializar o sabor defumado e a crocância da pele. O fornecimento de frangos frescos é diário, sem sobras, e o molho piri-piri vem de um fornecedor de longa data.
Além de Lisboa, o estabelecimento ganhou visibilidade por meio de plataformas de redes sociais chinesas, como o RedNote, que impulsionaram o turismo gastronômico local. Visitantes destacam o equilíbrio entre simplicidade do local e a qualidade do prato.
Entre os frequentadores, casais, famílias e grupos de amigos relatam experiências marcantes. Há relatos de turistas que retornaram a Lisboa motivados pela lembrança do sabor e do atendimento, que valorizam a atmosfera de rua e a tradição da casa.
Apesar do sucesso, Silva admite que o movimento pode variar conforme o dia e a disponibilidade de frangos. Em domingos mais concorridos, pode ocorrer mudança de produção, com a opção de buscar suprimentos em estabelecimentos vizinhos para manter a grelha acesa.
Aos poucos, o idoso proprietário pensa no que vem depois. Em maio pretende abandonar as brasas, já que os filhos não pretendem assumir a loja. Caso ocorra a transição, o aroma que atravessa a Travessa da Tapada poderá mudar, mas a história do frango grelhado emoldurará a memória da rua.
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