- MPs e especialistas pedem que o rei Charles III peça desculpas formais pela escravidão transatlântica, após pesquisa mostrar o papel da coroa britânica no comércio de pessoas escravizadas por séculos.
- O livro The Crown’s Silence afirma que monarcas desde Elizabeth I até George IV usaram o comércio de escravizados para aumentar as receitas da coroa e defender o império; acredita-se que, em 1807, a coroa britânica era a maior compradora de escravizados.
- Grupos como o grupo parlamentar de reparações Afrikan e a Runnymede Trust defendem que o pedido de desculpas deve vir acompanhado de ações de reparação e reformas sistêmicas.
- Especialistas da ONU dizem que o reconhecimento não basta e há obrigação legal e moral de reparações.
- Ainda neste ano, a cúpula do Commonwealth (Chogm) em Antígua e Barbuda pode reavivar o debate; o Palácio de Buckingham não comentou.
O apoio a uma desculpa formal do rei Charles III pela escravidão transatlântica ganhou força após a divulgação do livro The Crown’s Silence, que aponta o papel da coroa e da Marinha britânica na expansão e proteção do tráfico de pessoas escravizadas por séculos. A obra sustenta que, até 1807, a coroa britânica foi, segundo estimativas, a maior compradora de pessoas escravizadas.
MPs, especialistas e ativistas defendem que o pedido de desculpas deve ir além de manifestações pessoais de pesar. Eles afirmam que o problema envolve a instituição monárquica como um todo e pedem reconhecimento histórico acompanhado de ações para enfrentar o legado de racismo e desigualdade ainda presentes.
A publicação usa documentos históricos para mostrar como reis e rainhas, de Elizabeth I a George IV, teriam utilizado o comércio de escravos para elevar receitas do estado e fortalecer o império britânico. O livro cita, entre 1807, a dominância da coroa nesse mercado.
A haste de apoio ao pedido de desculpas vem de figuras públicas e organizações. Bell Ribeiro-Addy, parlamentar do Partido Trabalhista, afirma que o discurso de “adestração pessoal” não basta. Ela sustenta que é necessária responsabilização institucional e medidas concretas.
O relatório Reparations, da Runnymede Trust, indicado como referencia para justiça reparatória, aponta que o perdão simbólico precisa vir acompanhado de políticas públicas. A ideia é reformar instituições e estruturas econômicas que herdaram o legado da escravidão.
Pesquisadores independentes vinculados a órgãos das Nações Unidas ressaltam a necessidade de reconhecer a dívida histórica. A advogada de direitos humanos Dominique Day destaca que esse reconhecimento pode abrir espaço para reparação e progresso sem exploração.
O lessivo político envolve ainda a agenda de cooperação com nações do Caribe e da África, prevista para ser discutida na reunião de líderes da Commonwealth no Caribe, ainda neste ano. Observadores aguardam ações concretas além de declarações.
A autora Brooke Newman afirma que o livro pretende abrir espaço para debate público, não para guerras culturais. Ela aponta que o próximo encontro da Commonwealth pode representar um marco para ações do rei diante do tema.
O Palácio de Buckingham foi contactado para comentar o assunto. A posição oficial não foi divulgada até o momento. O debate permanece em pauta entre deputados, especialistas e ativistas.
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