- Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, afirmou que é a maior crise energética já testemunhada, com 80 instalações no Oriente Médio danificadas, mais de um terço severamente.
- A IEA liberou 400 milhões de barris de petróleo para acalmar os mercados e emitiu recomendações rápidas para conservação de óleo.
- Os impactos variam conforme a duração do conflito e a recuperação da infraestrutura, podendo manter preços elevados por mais tempo.
- O setor de gás pode perder parte de sua credibilidade em relação à confiabilidade, flexibilidade e preço após duas crises recentes.
- Possíveis caminhos incluem maior impulso à energia nuclear (incluindo reatores pequenos), crescimento das renováveis e mais veículos elétricos na Ásia; o Estreito de Hormuz permanece crítico para energia e fertilizantes, afetando principalmente países em desenvolvimento.
O chefe da Agência Internacional de Energia (IEA) apresentou, em MIT, o panorama do conflito no Oriente Médio para o sistema energético global. Fatih Birol falou no Earth Day Colloquium da MIT Energy Initiative, um dia após o anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã. O objetivo é informar políticas e mecanismos de resposta.
Segundo Birol, a atual crise energética supera crises anteriores, como as de 1973 e 1979, além da necessidade de lidar com o impacto na economia global. Ele mencionou danos a 80 instalações energéticas na região, com mais de um terço severamente afetadas.
A IEA atuou para estabilizar o mercado. Em resposta à magnitude da interrupção, o órgão acionou reservas nacionais de petróleo de seus membros, liberando 400 milhões de barris, o maior volume já utilizado pela instituição. Também lançou recomendações de conservação de petróleo.
Birol apontou que os efeitos dependerão da duração do conflito e da rapidez da restauração das operações, especialmente pela extensão dos danos à infraestrutura energética regional. A crise também afeta o gás natural, colocando em questão a confiabilidade, flexibilidade e custo.
O executivo destacou três cenários para o setor de energia: maior impulso a plantas nucleares, inclusive reatores pequenos; benefício potencial para energias renováveis, com crescimento de instalações após choques anteriores; e maior adoção de veículos elétricos na Ásia, diante da demanda de petróleo.
Ele disse que o prêmio de segurança energética passará a influenciar o comércio global de energia, com países mais cautelosos em suas parcerias comerciais. Além disso, o que ocorre no Estreito de Hormuz pode impactar não apenas petróleo e gás, mas insumos como fertilizantes e materiais usados em tecnologia.
Birol avisou que, mesmo com um acordo de paz, a recuperação não será imediata. A expectativa é de que o petróleo e o gás abasteçam o Golfo apenas gradualmente, mantendo preços elevados e gerando pressões inflacionárias em economias em desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.
Ele enfatizou que, após a crise, governos devem buscar um sistema energético mais seguro, sustentável e resistente. A coletiva de pesquisa e políticas do MIT reforça que mudanças estruturais serão necessárias para evitar futuras vulnerabilidades.
Entre na conversa da comunidade