- A guerra no Irã ameaça atrasos em grandes projetos eólicos offshore na Europa devido ao risco de bloqueio do tráfego pelo estreito de Hormuz, que pode interromper o envio de peças fabricadas no Golfo.
- Componentes encomendados de fornecedores nos Emirados Árabes Unidos podem ficar retidos se o estreito tiver tráfego bloqueado, impactando usinas no Reino Unido, Alemanha e Holanda.
- No Reino Unido, dois parques eólicos offshore em Norfolk receberam contratos de apoio de vinte anos pouco antes do bloqueio do estreito; a fabricante envolve a empresa alemã RWE e uma yard de fabricação em Dubai para mais de 180 componentes.
- Os parques devem fornecer energia equivalente a cerca de quatro milhões de casas britânicas até o fim da década, apoiando a meta de ampliar a capacidade de vento offshore até 2030.
- A TenneT e outros projetos de transmissão na Alemanha também podem sofrer impactos, com parte dos componentes já sendo produzidos na região, e especialistas ressaltam a necessidade de diversificar a cadeia de suprimentos e incentivar fabricação local.
A guerra no Irã ameaça atrasar grandes parques eólicos offshore na Europa, devido ao risco de interrupção no transporte de peças cruciais produzidas no Golfo. A preocupação recai sobre componentes encomendados de fornecedores nos Emirados Árabes Unidos, que podem ficar retidos se o tráfego pelo estreito de Hormuz permanecer bloqueado. A tensão já afeta o abastecimento de energia limpa na região.
Os dois grandes parques eólicos previstos para águas do Reino Unido, na costa de Norfolk, receberam contratos de apoio de 20 anos do governo britânico pouco antes do bloqueio do estreito. A fornecedora responsável pelos componentes é a RWE, com um parceiro sediado em Dubai para entregar mais de 180 peças a partir de seu estaleiro no UAE.
Além disso, a possibilidade de interrupção deve impactar projetos de transmissão na Alemanha e na Holanda. A TenneT contratou um estaleiro de fabricação dos Emirados para entregar componentes estruturais, incluindo uma base Jacket de 5,461 toneladas para o projeto BorWin6, já enviada antes do fechamento do estreito. Outros três projetos de rede — LanWin2, BalWin3 e LanWin4 — também contam com fornecedores no UAE.
As empresas reiteram que a cadeia de suprimentos é diversificada geograficamente, mas reconhecem vulnerabilidades caso o bloqueio persista. A RenewableUK aponta que a situação pode depender da duração do fechamento e da necessidade de substituição de fontes de fornecimento. Medidas de mitigação já estão sendo consideradas para reduzir impactos.
A indústria tem enfatizado a necessidade de fortalecer a fabricação local de componentes-chave, caso a instabilidade persista. Autoridades e associações brasileiras não se posicionam diretamente, mas o tema reforça a atenção a mudanças na cadeia de suprimentos de projetos renováveis na Europa.
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