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Energia solar ganha terreno na África, mas desafios persistem

Energia solar avança na África, mas a pobreza energética persiste, com custos de baterias e dependência de fornecedores chineses ameaçando o ritmo

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Solar-powered lights afford residents more hours to work or study. Image courtesy of Kondwani Jere/SolarAid.
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  • A energia solar ganha terreno na África, com a República Centro-Africana gerando mais de um terço de sua eletricidade a partir do sol, a maior penetração do continente.
  • Outros dois países já obtêm mais de um quarto da energia de fontes solares e 13 países geram mais de 10% da eletricidade solar, incluindo Chade, Somália e Malawi, onde pelo menos uma vila funciona totalmente com solar.
  • AFSIA alerta que os números são estimativas e podem subestimar o setor; na prática, a África continua sendo o continente com menor eletrificação, e na República Centro-Africana apenas 15,7% da população tem acesso à eletricidade, concentrado na capital Bangui.
  • O continente possui cerca de 60% do melhor potencial solar do mundo, mas representa apenas 1% da capacidade instalada global; o avanço pode depender de baterias mais acessíveis, apesar dos riscos ambientais.
  • O crescimento pode sofrer freio: a China domina a produção de painéis e baterias; a partir de abril de 2026, créditos de exportação para baterias usados em armazenamento vão cair gradual e serão extintos em 2027, elevando custos para compradores africanos.

A energia solar ganha espaço na África, ampliando o acesso a eletricidade com fontes renováveis. A Central African Republic (CAR) lidera, gerando mais de um terço de sua energia a partir do sol, o que representa a maior participação solar no mix elétrico do continente, segundo a AFISIA.

Outros países também crescem: Chad, Somália e Malawi já obtêm acima de 25% de sua eletricidade da solar. Ao menos 13 nações chegam a 10% ou mais de energia solar. Em Malawi, pelo menos uma vila funciona inteiramente com energia solar.

A AFISIA ressalta que a decomposição energética é uma estimativa, possivelmente subestimando o setor, por não captar muitos projetos pequenos. Ainda assim, a África continua com baixa eletrificação, cerca de 600 milhões de pessoas sem acesso confiável à eletricidade.

Na prática, apenas 15,7% da população da CAR tem acesso à energia, concentrada na capital Bangui. A pobreza energética dificulta desenvolvimento e direitos humanos, conforme pesquisadores.

A África possui grande potencial de renováveis, com aproximadamente 60% do melhor potencial solar mundial, mas responde por apenas 1% da capacidade global instalada. O baixo investimento histórico deve-se à intermitência da fonte.

A disponibilidade de baterias, principalmente lithium-ion, ajuda a superar limitações, abrindo espaço para que a solar passe a gerar mais energia. Contudo, baterias trazem riscos ambientais ligados à mineração e à contaminação de água.

Em Malawi, estudos mostraram que a reciclagem informal de baterias de chumbo pode liberar chumbo no ambiente, afetando recicladores, pessoas e animais.

O ritmo de expansão pode desacelerar. A China domina a produção de painéis e armazenamento, respondendo por cerca de 80% do fornecimento global. A partir de abril de 2026, fabricantes chineses perderão créditos de VAT sobre exportação de baterias para armazenamento solar, com fim gradual até 2027, o que pode elevar custos para compradores africanos.

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