- A relação entre EUA e Israel está em seu auge em termos de cooperação militar, com jets em conjunto sobre Teerã e alianças logísticas em centros dos EUA.
- Mesmo assim, o relacionamento está em declínio lento, com pilares do que se chamou de aliança especial fragilizados por polarização e mudanças culturais.
- A opinião pública americana mudou: menos da metade acredita que apoiar Israel esteja no interesse nacional; palestinos passam a despertar mais simpatia.
- A aliança foi moldada ao longo de décadas, mas o apoio bipartidário progressivamente cedeu espaço a correntes mais isolacionistas e a críticas dentro de ambos os partidos.
- Caso a guerra conjunta com o Irã seja o ápice desse arranjo, especialistas apontam que o amadurecimento de uma nova ordem regional pode significar o fim da aliança especial e impactos para Israel.
A aliança entre os Estados Unidos e Israel, vista por muitos como inquebrantável, pode estar chegando ao seu auge. Relatos sugerem cooperação militar sem precedentes, com caças americanos e israelenses operando em conjunto sobre Teerã e postos da U.S. Central Command nos EUA. A atuação conjunta é apresentada como sinal de alinhamento estratégico entre os dois países.
Entretanto, análises indicam que a relação está em declínio em termos políticos, ideológicos e sociológicos. O conjunto de grupos pró-Israel que domina o lobby e o debate em Washington vem perdendo força num cenário de polarização acentuada. Pesquisas classificam a opinião pública como menos favorável a Israel e mais suscetível a diagnósticos críticos entre palestinos.
A narrativa dominante retrata um amadurecimento da cooperação militar, mas especialistas apontam mudanças estruturais. A ligação entre interesses estratégicos e valores compartilhados, que moldaram a relação ao longo das últimas décadas, estaria se apagando diante de novos atores políticos e de um eleitorado cada vez mais diverso.
Historicamente, a aliança foi construída com sucessivas oscilações de governos norte-americanos. Enquanto Truman reconheceu Israel, Eisenhower foi mais cauteloso; Kennedy forneceu armamentos; Kissinger viabilizou a operação de 1973. No entanto, Carter, Reagan e Bush permaneceram com limites, ainda que a cooperação tenha ganhado força após o fim da Guerra Fria.
Com a ascensão de uma visão de segurança centrada no combate ao terrorismo, EUA e Israel passaram a ver seus interesses como sinônimos. A mobilização de apoio interno aos dois lados ajudou a consolidar a aliança, inclusive por meio de uma narrativa de democracia compartilhada frente a adversários comuns.
A influência do complexo pró-Israel também mudou ao longo dos anos. Grupos como AIPAC e redes associadas consolidaram poder bipartidário, enquanto vozes palestinistas ganharam espaço limitado. Nas últimas décadas, novas gerações e movimentos de esquerda e de direita questionaram a amplitude dessa influência.
Entre 2015 e 2017, a relação recebeu novos impactos. A oposição ao acordo nuclear com o Irã, promovida por setores conservadores, contribuiu para uma cisão bipartidária. A radicalização de lideranças israelenses e alianças políticas internas contribuíram para o desgaste da imagem de consenso em Washington.
Na prática, a discussão pública sobre o apoio dos EUA a Israel ganhou contornos centrais para futuras eleições. Grupos progressistas e parte da ala restritiva do MAGA antecipam que a política externa com Israel poderá funcionar como um tema testado em 2028, influenciando candidaturas e prioridades de fundos de campanha.
O atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, intensificou a estratégia de reduzir a dependência de ajuda norte-americana, defendendo, ao longo do tempo, uma transição para novos modelos de cooperação. Projetos de pesquisa e desenvolvimento em cooperação tecnológica têm sido apresentados como alternativas à assistência tradicional.
Especialistas avaliam que, se a parceria for perdida, as consequências podem incluir menor capacidade de influência regional para Israel e ajustes significativos na política externa dos EUA. A saber, a trajetória futura dependerá da resposta interna de ambos os países a pressões políticas, econômicas e de segurança.
Netanyahu, por sua vez, sinalizou que a redução da ajuda dos EUA pode ser apresentada como uma escolha estratégica própria, tentando evitar confronto direto com a política de financiamento externa vigente. Estudos de think tanks discutem cenários que vão desde maior autossuficiência até parcerias mais profundas em tecnologia militar.
Em síntese, a fase atual sugere uma transição: de um relacionamento visto como pedra angular de ordem regional para um modelo de cooperação mais restrito, com impactos incertos para Israel e para a política externa norte-americana. A eventual transformação depende de caminhos políticos, eleições e dinâmicas regionais que ainda estão por se definir.
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