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Apenas um em cada dez europeus vê os EUA como aliado, aponta pesquisa

Pesquisa mostra desconfiança europeia na garantia de segurança dos EUA; maioria duvida que Washington ajudaria em caso de ataque, impulsionando defesa europeia

The report by the European Council on Foreign Relations also found growing pragmatism about European self-defence.
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  • A pesquisa do European Council on Foreign Relations (ECFR) aponta que apenas 11% dos respondentes, em 15 países europeus, veem os Estados Unidos como aliado.
  • A maioria não acredita que os EUA viriam em auxílio em caso de ataque, com exceção da Bulgária, onde há desconfiança menor.
  • O estudo indica maior pragmatismo na defesa: 47% apoiam financiamento conjunto da defesa pela União Europeia, contra 35% que são contrários; Itália é o único país com maioria contrária.
  • Há vontade de reduzir a dependência de hardware militar dos EUA e aumentar compras europeias, com apoio significativo em vários países.
  • A adesão da Ucrânia à União Europeia continua dividindo opiniões entre os países, refletindo divergências sobre o cenário europeu no contexto atual.

A confiança europeia em uma garantia de segurança dos EUA caiu a um patamar histórico. Em 15 países, apenas 11% dos entrevistados passaram a ver os EUA como aliado, com a maioria duvidando que os americanos viriam em caso de ataque. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira pelo European Council on Foreign Relations (ECFR) antes de cúpulas do G7 na França e da NATO na Turquia.

O estudo, realizado com pesquisas em maio em 15 países, aponta desconfiança generalizada em relação aos EUA, mesmo com a percepção de que as relations podem melhorar após a saída de Donald Trump do cargo. Enquanto isso, cresce a disposição de fortalecer a defesa europeia para compensar a suposta indisponibilidade americana.

Entre os fatores que moldaram o cenário, o endurecimento da postura dos EUA no Oriente Médio, ameaças a Groenlândia e a retirada de tropas de bases europeias aparecem como tendências que incentivam pragmatismo e autonomia de segurança na Europa. O relatório cita ainda ceticismo com relação ao futuro da OTAN.

Contexto de confiança

A pesquisados mostrou que, em média, 11% consideram os EUA um aliado, ante 16% há seis meses e 22% em novembro de 2024. A percepção de os EUA serem apenas um parceiro necessário também é frequente, com 13% vendo-os como rival e 12% como adversários diretos.

Jana Kobzová, coautora do estudo, afirma que há apoio claro para reduzir a dependência de Washington. Segundo ela, europeus demonstram abertura para elevar gastos com defesa e confiam na ajuda de países vizinhos em crises.

Paweł Zerka, também coautor, destaca que a demanda por maior autossuficiência cria oportunidade para lideranças europeias avançarem mais rápido na segurança. A pesquisa abrangeu Austria, Bulgária, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Países Baixos, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.

Principais dados

A média de apoio à ideia de financiamento coletivo da defesa da UE ficou em 47%, com 35% de oposição. Portugal (59%), Dinamarca (56%), Países Baixos (55%) e Espanha (55%) mostraram maior aceitação.

Entre os respondentes, a maioria defende reduzir a dependência de hardware militar norte-americano, com adesões altas a compras europeias em vários países, especialmente Dinamarca (75%), Países Baixos (72%) e Suécia (70%).

Em relação a cortes de gastos públicos para ampliar defesas, o apoio é baixo: Itália apresenta resistência de 63% e Alemanha, 56%. A ideia de substituir a OTAN por um corpo de defesa da UE recebe apenas 29% de apoio.

Implicações

A maioria dos respondentes acredita que as relações EUA-UE devem melhorar após a saída de Trump, mas pretende manter maior autodefesa europeia de forma independente. Em muitos países, há expectativa de que a cooperação com parceiros regionais se fortaleça.

O levantamento também indica que a postura energética influencia percepções de segurança. Mesmo com custos elevados, a popularidade de reabrir importação de petróleo e gás da Rússia é baixa, com 44% considerando ruim ou muito ruim essa opção.

A pesquisa evidencia ainda que a aspiração de adesão da Ucrânia à UE divide opiniões em diversos Estados-membros, incluindo potências como Alemanha e Hungria, refletindo debates internos sobre extensão de políticas ocidentais. A divulgação ocorreu antes de novas negociações europeias sobre segurança.

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