- Lula inicialmente ficou incredulamente surpreendido com a ação dos EUA na Venezuela; depois, passou a avaliar cenários em duas reuniões, para definir o tom da nota pública e os possíveis desdobramentos.
- Embaixadora do Brasil na Venezuela transmitiu ao Planalto informações de que já havia mortes nas primeiras horas de sábado e danos à infraestrutura ainda sem avaliação; destino de Maduro e planos de Trump permanecem incertos.
- Lula aguarda coletiva de imprensa de Trump para entender o rumo; um ministro citado pelo Planalto disse que o tom de Trump foi chocante, sem mencionar democracia e comparando a troca de um Estado à mudança de CEO de uma empresa.
- O presidente brasileiro tentou contatar líderes europeus, como o primeiro ministro da Espanha e o presidente da França, para medir uma possível reação uníssona da União Europeia, mas a resposta não ocorreu até o momento.
- Entre dúvidas centrais, está a possibilidade de a ação norte-americana na Venezuela interferir nas eleições brasileiras, dependendo do comportamento das redes sociais; há também expectativa de impacto nas eleições para o Congresso dos EUA, conforme o controle parlamentar.
O Planalto recebeu sinalização de que a ação dos EUA na Venezuela pode impactar as eleições no Brasil. Inicialmente, Lula mostrou incredulidade, seguida de surpresa diante de uma movimentação sem registro recente na história.
A embaixadora do Brasil na Venezuela repassou ao Palácio do Planalto informações sobre mortos nas primeiras horas do sábado e sobre danos à infraestrutura ainda não quantificados. Também não havia confirmação sobre o destino de Nicolás Maduro nem sobre os planos de Donald Trump para o país vizinho.
No fim de sábado, a Presidência avaliou o conteúdo da coletiva de imprensa de Trump para entender o que poderia ocorrer. Um ministro descreveu a fala como direta, sem menção a democracia, e apontou que houve menção a governar o país e a controle de reservas de petróleo, como se fosse uma mudança de gestão empresarial.
Lula informou que tentaria contato com líderes europeus, como o premier da Espanha e o presidente da França, para avaliar uma reação da União Europeia. A expectativa era de um posicionamento conjunto, que não se materializou.
Ainda no sábado, o governo brasileiro passou a lidar com várias incógnitas. Observou-se que a Venezuela tem grande parte da população armada e 31 milhões de habitantes, o que eleva a dificuldade de uma invasão por terra. Também surgiram perguntas sobre o papel da China e da Rússia no cenário.
> Dúvidas e variáveis sobre o desdobramento regional
A relação comercial da Venezuela com a China, e a dependência de contratos de longo prazo, foram citadas como fatores que podem influenciar movimentos de Beijing. O peso das decisões de Trump sobre Xi Jinping e Vladimir Putin também é considerado determinante para as condições geopolíticas.
> Impacto nos cenários eleitorais
Uma realidade, segundo fontes do Planalto, é que a ação dos EUA na Venezuela tende a provocar interferência nas eleições brasileiras, ainda que o efeito exato dependa das plataformas digitais. Além disso, as eleições norte-americanas, caso haja alteração na maioria do Congresso, também devem sofrer impactos relevantes.
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