- Pesquisas indicam Fidesz com déficit de cerca de 20 pontos em relação ao opositor Peter Magyar, a seis semanas das eleições gerais de 12 de abril.
- Orban respondeu acusando a Ucrânia de planejar ataques à infraestrutura energética e intensificou a campanha anti-Ucrânia com outdoors financiados pelo estado.
- Na véspera da invasão da Rússia, o governo bloqueou o pacote de ajuda da União Europeia de 105 bilhões de euros para a Ucrânia e, em março, interrompeu exportações de combustível para a Ucrânia até restabelecer o funcionamento do gasoduto Druzhba.
- O ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, manteve conversas com o presidente russo, Vladimir Putin, para a liberação de dois prisioneiros húngaro-ucranianos, enquanto autoridades húngaras detiveram temporariamente cidadãos ucranianos e dois carros blindados.
- Magyar mantém posição de evitar tom pró-Ucraniano explícito, buscando moderar a estratégia externa para não perder apoio interno; Orban, por sua vez, busca manter a narrativa de sobrevivência nacional frente a supostos ataques externos.
O primeiro-ministro húngaro Viktor Orban intensificou uma campanha anti-Ucrânia como resposta a um levantamento de opinião desfavorável para o seu partido, Fidesz, diante das eleições de 12 de abril. A sondagem mostrou a oposição liderada por Peter Magyar com vantagem de 20 pontos. Orban reagiu com uma estratégia que enfatiza a linha contra Kiev e o apoio a Moscou.
Na sequência, o governo congelou parte do apoio da União Europeia à Ucrânia e bloqueou novas sanções contra a Rússia. A suspensão do pacote de 105 bilhões de euros da UE ocorreu no dia anterior ao quarto aniversário da invasão russa. Em 6 de março, Budapeste interrompeu exportações de combustível para a Ucrânia até restabelecer o funcionamento completo do oleoduto Druzhba.
Atuação diplomática e ações no front externo
Em 4 de março, o ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, negociou com o presidente russo Vladimir Putin a libertação de prisioneiros de guerra húngaro-ucranianos. Além disso, autoridades húngaras detiveram sete cidadãos ucranianos e dois carros blindados transportando dinheiro entre bancos estatais da Áustria e da Ucrânia, sob alegação de lavagem de dinheiro, segundo o governo.
Esses movimentos coincidem com uma escalada da mensagem anti-Ucrânia de Orban, que busca deslocar o foco do eleitor para a percepção de uma ameaça externa. Magyar, por sua vez, lidera uma campanha que enfatiza reformas internas, cooperação com a UE e uma posição menos agressiva em relação à Ucrânia, tentando se apresentar como a alternativa mais pró-ocidente sem comprometer a relação com a União.
Impacto na disputa eleitoral
Com a disputa acirrada, Orban tenta converter a atenção para uma narrativa de sobrevivência nacional frente a forças externas, buscando mobilizar apoiadores descontentes com serviços públicos e inflação. Magyar continua em vantagem segundo as pesquisas, mas a estratégia de Orban pode manter a coesão do seu eleitorado caso haja abstenção ou assimetrias de campanha. As próximas semanas devem esclarecer o alcance dessa abordagem na votação.
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