- O ex-ministro Mohammad Javad Zarif, em artigo para Foreign Affairs, apresenta uma oferta bilateral com os Estados Unidos para encerrar a guerra: limites de enriquecimento abaixo de 3,67%, ratificação do Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica, transferência de material enriquecido a um consórcio multilateral, reabertura do Estreito de Hormuz e um pacto de não agressão com os EUA.
- A proposta também prevê alívio de sanções e reintegração regional, apresentando-se como tentativa de transformar as perdas de campo de Irã em vantagem negociadora.
- O documento sugere que o acordo seja suficiente para estabilizar o Oriente Médio, mas os Estados do Golfo, endurecidos pelos ataques iranianos, exigem que a segurança regional seja incluída no acordo.
- Cinco semanas de ataques liderados pelos EUA e por Israel degradaram a infraestrutura militar do Irã, e grandes setores da liderança iraniana passam por reconfigurações internas, conforme analistas citados.
- O formato apresentado por Zarif foca num eixo bilateral, deixando de fora um mecanismo de segurança regional abrangente que envolva todos os membros do Conselho de Cooperação do Golfo, o que tem gerado resistência entre as potências da região.
Mohammad Javad Zarif publicou um ensaio na Foreign Affairs que circula como sinal de aproximação, mas traz condições que parecem aproveitar as perdas de Irã no conflito. A proposta envolve limites de enriquecimento, participação de um consórcio multilateral e reabertura do estreito de Hormuz, em troca de alívio de sanções e reintegração regional.
O texto sugere que o Irã aceite limites acima de 3,67% de enriquecimento, ratificação do Protocolo Adicional da IAEA, transferência de material enriquecido a um consórcio e uma trégua com os EUA. O objetivo seria travar o que resta de influência regional diante de perdas militares.
Zarif propõe ainda manter um acordo de não agressão com os EUA e abrir o estreito de Hormuz para o tráfego, em linha com um acordo bilateral. As leituras indicam que o governo iraniano busca consolidar o que resta de vantagem estratégica, antes que a conjuntura se deteriore ainda mais.
Contexto regional
Críticos lembram que, após cinco semanas de ataques israelenses e norte-americanos, o Irã sofreu danos relevantes em comando, defesa e capacidade de missile. Líderes iranianos reconhecem impactos, ainda que alguns interlocutores descrevam o impacto político como um fracionamento interno de poder no país.
O confronto elevou a percepção de vulnerabilidade entre estados do Golfo, que hospedam forças dos EUA. Países como Emirados Árabes Unidos, Qatar e Arábia Saudita destacam a necessidade de incluir garantias de segurança do Golfo em qualquer acordo com o Irã.
Posições do Golfo e EUA
Líderes do Golfo enfatizam que uma solução duradoura deve conter aspectos de segurança regional, não apenas de comércio e sanções. Autoridades do UAE mencionam a necessidade de enfrentar nuclear, mísseis, drones e cadeias de proxys para conter o risco na região.
O governo dos EUA é visto como potencialmente receptivo a um acordo que tranquilize mercados de energia, mas exige respostas sobre garantias de segurança do Golfo. Especialistas apontam que a proposta de Zarif reduz o espaço de negociação da parte iraniana, ao retirar itens como mísseis e capacidades ofensivas do escopo do acordo imediato.
Desdobramentos estratégicos
Se mantiver o foco em um pacto bilateral apenas, o acordo pode deixar de fora garantias de defesa coletiva para o Golfo. Analistas destacam que uma plataforma regional que inclua todos os membros do GCC mais o Irã seria mais estável a longo prazo, testando a veracidade das intenções de cooperação do Irã.
Observadores ressaltam que o Irã tem buscado reduzir a influência de rivais externas ao oferecer um caminho de normalização econômica condicionada a mudanças de postura regional. Em contrapartida, muitos países do Golfo insistem em participação direta na arquitetura de segurança pós-conflito.
Implicações para a segurança global
Um acordo que trate apenas de enriquecimento e sanções, sem abordar mísseis, drones e controle de fronteiras, pode gerar novas crises. A comunhão de interesses entre EUA, GCC e Irã depende de mecanismos formais de consulta e de renúncia ao uso da força entre as partes vizinhas.
A região observa que a cooperação com grandes potências, como China e Rússia, pode influenciar a governança de materiais nucleares. A expectativa é por um arcabouço que garanta estabilidade, diminua riscos de escaladas futuras e organize responsabilidades de reconstrução econômica.
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