- Nesta semana, o governo britânico foca no “reset” com a União Europeia, com reuniões previstas em Bruxelas para avançar nas negociações.
- Na segunda, o ministro do Cabinet Office, Nick Thomas-Symonds, participa de uma sessão da parceria parlamentar UE-Reino Unido; também estarão presentes o ministro Europeu, Stephen Doughty, e o ministro do Comércio, Chris Bryant.
- Na terça, a chanceler Rachel Reeves fará a segunda palestra do ciclo Mais para a indústria financeira, defendendo que uma maior aproximação com a UE sustenta a agenda de crescimento.
- A disputa central envolve as taxas universitárias para estudantes europeus: a UE quer tarifas inferiores para todos os estudantes da UE, o que custaria às universidades britânicas cerca de £ 140 milhões por ano.
- Governos e universidades divergem: o governo britânico considera a proposta inviável, enquanto Bruxelas vê espaço para redução, não necessariamente redução total, e as negociações permanecem difíceis, impactando o eixo principal do “reset”.
A semana é marcada pelo que o governo britânico chama de “reset” pós-Brexit, com ações para mostrar firmeza na aproximação com a UE, dez anos após a votação pela saída. Em Brussels, ministros devem anunciar avanços na relação com Bruxelas, alvo de críticas e pontos de atrito internos.
Nesta segunda-feira, o ministro do Governo responsável pelo diálogo com a UE, Nick Thomas-Symonds, chega a Bruxelas para reunião da assembleia parlamentar(UE-UK). A comitiva inclui o ministro da Europa, Stephen Doughty, e o ministro do Comércio, Chris Bryant. O objetivo é sinalizar a disposição de alinhar-se com a União.
Na terça, a Chanceler Rachel Reeves participa de uma palestra para o setor financeiro, defendendo maior alinhamento com a UE como parte da agenda de crescimento do governo. O tema é destaque na imprensa econômica britânica.
Ponto de atrito: taxas universitárias para estudantes da UE
Entretanto, cresce a discordância sobre a cobrança de mensalidades para estudantes europeus. A UE exige tarifas menores para todos os alunos da UE, e não apenas para os que participam de um provável programa de mobilidade juvenil. O custo estimado para as universidades britânicas com essa redução seria de cerca de £140 milhões por ano.
Alguns especialistas veem benefícios na flexibilização. O analista Mark Corver afirma que a medida poderia permitir graduação por mérito, sem depender da contribuição financeira dos estudantes, abrindo espaço para atender melhor a demanda regional.
Por outro lado, o setor universitário e o governo do Reino Unido resistem à ideia, classificando-a como inviável. Fontes oficiais classificam a proposta como um obstáculo potencial à agenda de normalização com a UE.
Perspectivas de negociação e próximos passos
Além de juventude estudantil, a ofensiva de Bruxelas pode travar três pilares do acordo: educação, comércio de alimentos e emissões de carbono. Em Bruxelas, o foco recai mais sobre mobilidade estudantil, com a UE disposta a flexibilizar apenas se houver contrapartidas em outros pontos.
Quem acompanha as negociações enfatiza que o relacionamento entre Thomas-Symonds e o negociador-chefe da UE, Maroš Šefčovič, bem como entre o líder britânico e a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, é mais próximo que de gestões anteriores, o que poderia facilitar um acordo.
Thomas-Symonds pretende manter encontros com Šefčovič e com Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, ainda nesta semana, na tentativa de destravar o impasse. As duas partes indicam disposição para ceder em alguns pontos.
Em paralelo, o Tesouro e o Departamento de Educação avaliam custos e ganhos de uma possível aceitação da redução ampla de taxas. As autoridades britânicas sinalizam que aceitariam concessões significativas em troca de ganhos relevantes.
Bruxelas indica que a questão não é binária: pode concordar com redução de tarifas sem atingir a equiparação total com as tarifas domésticas, desde que haja contrapartidas. Analistas lembram que, no processo de negociação, muitos temas ficam para as etapas finais.
Observações finais sobre o ritmo das negociações
Segundo fontes próximas às negociações, o cenário permanece flexível, com sinais de avanço gradual e possível atuação de uma espécie de acordo de última hora. A complexidade da tratativa exige prudência para que o reset ganhe consistência nas relações com a UE.
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