- Os Estados Unidos declararam estado de emergência nacional contra Cuba e ameaçaram tarifas a países que enviarem petróleo à ilha, mirando o México.
- México reduziu drasticamente o envio de petróleo a Cuba, passando de cerca de 22 mil para 7 mil barris diários, e depois chegou a parar completamente os embarques.
- Com a interrupção do petróleo, Cuba enfrenta racionamento de energia, suspensão de voos e, em pelo menos um hospital, radiocompleta interrupção de cirurgias e transporte de pacientes.
- A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, tenta equilibrar a histórica parceria com Cuba e a pressão dos EUA, oferecendo ajuda humanitária e buscando manter portas abertas para diálogo.
- Há a possibilidade de mediação mexicana entre EUA e Cuba, com o governo de Sheinbaum buscando evitar crises humanitárias, enquanto Washington avalia novas medidas de pressão, como remessas, voos e o acordo USMCA.
O governo dos Estados Unidos intensificou a pressão sobre Cuba ao emitir uma ordem executiva que declara estado de emergência nacional, alegando ameaça incomum e extraordinária. A medida aponta para a sustentação de regimes ou atividades consideradas prejudiciais à segurança norte-americana.
A reação veio em meio a avaliação de que Cuba abriga espiões russos e abriga grupos considerados terroristas. A ordem também estipula tarifas sobre petróleo destinado a Cuba, caso países continuem a fornecer esse insumo essencial. Mexer na oferta de petróleo de Cuba é visto como ferramenta para pressionar mudanças no regime.
O movimento coloca a atual presidente do México, Claudia Sheinbaum, em posição delicada. Historicamente aliada de Cuba, ela precisa equilibrar a tradição de solidariedade ao regime cubano com as medidas de contenção impostas pelo governo americano.
Dados indicam que o México fornecia cerca de 22 mil barris diários de petróleo a Cuba no ano passado, com queda para 7 mil após visitas diplomáticas norte-americanas. Antes da ofensiva dos EUA, o volume era mais próximo de 35 mil barris diários.
À medida que o embargo se intensificou, o México interrompeu completamente os envios de petróleo a Cuba. O governo mexicano descreveu a pausa como uma decisão soberana, embora haja relatos de temores sobre retaliações norte-americanas.
Mesmo com a suspensão de petróleo, o governo mexicano aumentou a ajuda humanitária. Navios da Marinha do México chegaram a Cuba com ajuda, mas sem petróleo, para evitar impactos negativos às relações bilaterais.
Especialistas indicam que Sheinbaum tenta manter uma negociação equilibrada entre manter o relacionamento com Cuba e não antagonizar Washington. O objetivo é evitar impactos na relação com os EUA e no acordo comercial USMCA.
A situação econômica em Cuba se agravou com a redução de fornecimentos de energia, interrupção de voos comerciais e suspensão de alguns atendimentos médicos. A crise energética eleva o risco de impactos humanitários e migração.
A relação entre México e EUA permanece sob pressão, com o governo mexicano buscando manter cooperação em segurança e migração, ao mesmo tempo em que evita confrontos diretos com Washington.
Caminhos diplomáticos são considerados. Havana indica disposição a dialogar com Washington, desde que não haja condições ou pressões prévias. México atua como possível mediador, buscando manter o fluxo de ajuda sem inviabilizar relações com os Estados Unidos.
Ancoradas pela história, relações México-Cuba variaram ao longo das décadas. A proximidade de Sheinbaum com Cuba contrasta com pressões recebidas pela gestão de apoio político interno, gerando um cenário de alta volatilidade regional.
Autoridades apontam que a tensão entre as potências preocupa pela possibilidade de impacto humanitário em Cuba e de ondas migratórias para o México, que já tem uma participação estratégica na segurança regional.
Analistas ressaltam que Trump mantém cartas de pressão, como tarifas, controle de remessas e possíveis restrições de voos, que elevam a dependência de Cuba de acordos com o México para manter assistência e fluxos de ajuda.
Em resumo, o embate entre EUA e Cuba, com participação central do México, segue sem solução visível à vista. As ações combinadas devem manter o cenário tenso, com riscos de agravamento humanitário caso não haja acordo ou diálogo efetivo entre as partes.
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