- O ministro das Relações Exteriores da França informou aos procuradores sobre um diplomata francês de nível médio com ligações a Jeffrey Epstein, suspeito de transferir documentos da ONU para o condenado.
- O nome Fabrice Aidan aparece em mais de duzentos documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, incluindo e-mails enviados a Epstein entre 2010 e 2016.
- Aidan, que trabalha fora do ministério em licença pessoal, já atuou na ONU em Nova York (2006 a 2013) e é alvo de investigação administrativa e de procedimentos disciplinares.
- Os procuradores de Paris decidirão se abrem uma investigação criminal sobre o caso, que envolve a possível transferência de documentos da ONU para Epstein e pedidos de acesso a códigos de entrada de apartamentos.
- O governo francês informou que o presidente Emmanuel Macron está “apertado” com as descobertas, e que todos os esclarecimentos devem ser fornecidos pelas autoridades judiciais.
O Ministério das Relações Exteriores da França informou aos tribunais sobre um diplomata de nível intermediário suspeito de repasse de documentos da ONU para Jeffrey Epstein. Fabrice Aidan é citado em mais de 200 documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA, entre eles e-mails enviados a Epstein entre 2010 e 2016, tanto de contas pessoais quanto da ONU.
Barrot descreveu as alegações como extremamente graves e disse ter aberto uma investigação administrativa e processos disciplinares contra Aidan. Os promotores de Paris decidirão se instauram ou não uma ação penal. Aidan foi afastado do serviço público, conforme o ministério.
Desdobramentos e contexto
Entre os documentos, há briefings e relatórios da ONU, incluindo um descritivo de uma ligação entre Ban Ki-moon e o ministro de Relações Exteriores da Turquia, enviada por Aidan a um superior e posteriormente encaminhada a Epstein. Não houve confirmação imediata sobre o status de classificação dos documentos.
A ONU em Genebra não respondeu a pedidos de comentário. Barrot disse à RTL que soube das ações de Aidan na terça-feira, por meio de uma reportagem do site Mediapart. Aidan ingressou no Ministério em cerca de 2000 e atualmente está em licença pessoal, trabalhando fora do ministério, segundo a pasta.
Reações oficiais e histórico do diplomata
Segundo Mediapart, Aidan atuou também na ONU em Nova York de 2006 a 2013. Em um e-mail, ele chegou a questionar Epstein sobre códigos de entrada do apartamento parisiense do financista, resposta que foi favorável a Aidan. Na época, Gerard Araud, então embaixador da França nos EUA, informou ter enviado Aidan de volta à França, sem detalhar motivos. Ele mencionou a existência de um arquivo do FBI, sem entrar em detalhes.
Presidente Emmanuel Macron disse estar chocado com as novas informações. Uma fonte próxima ao chefe do Executivo afirmou que as autoridades judiciais devem investigar o caso para esclarecer todos os fatos. O governo reiterou que tudo deve ser apurado de forma transparente.
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