- O mediador omanense Badr al-Busaidi afirmou que o acordo entre Estados Unidos e Irã estava “al alcance” poucas horas antes dos bombardeios na região.
- Irã concordou em não armazenar urânio enriquecido e em degradar o urânio altamente enriquecido a níveis neutrais, além de aceitar inspeções totais do Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA).
- As negociações ocorreram em Genebra com mediação de Omã; a última rodada, na quinta-feira, foi considerada positiva pelas partes.
- Al-Busaidi viajou a Washington para informar o vice-presidente e, em entrevista à CBS, detalhou propostas em avaliação, dizendo haver avanço relevante.
- Também foi discutido um diálogo entre Irã e países árabes do Golfo sobre segurança, incluindo o programa de mísseis balísticos; os EUA permitiram a saída de pessoal não essencial de embaixadas em Israel e Líbano.
O mediador de Omã, Badr al Busaidi, afirmou que o acordo de paz entre EUA e Irã estava “ao alcance” horas antes de uma ofensiva militar na região. Teerã aceitou compromissos inéditos, como não acumular urânio enriquecido e degradar o estoque existente, em meio a negociações em curso.
Al Busaidi participou de negociações entre Washington e Teerã, inicialmente em Omã e depois em Genebra. Na última rodada, na quinta-feira, as conversas teriam encerrado de forma positiva, segundo as partes, apesar da clareza dos detalhes não ter sido publicada.
Na sexta-feira, enquanto militarem ataques atingiam alvos na região, o mediador viajou a Washington para relatar ao vice-presidente J. D. Vance o andamento das negociações. Em entrevista à CBS, Al Busaidi detalhou propostas em avaliação.
Ele destacou que, para impedir a possibilidade de uma bomba nuclear, Irã se comprometeu a não armazenar mais urânio enriquecido e a degradar o urânio altamente enriquecido até níveis neutrais. Também há compromisso com inspeções abrangentes do OIEA.
O mediador também apontou que inspeções dos EUA poderiam ocorrer, desde que haja acordo justo entre as partes. Segundo ele, Irã mostrou abertura a um regime de verificação mais rígido. A afirmação foi feita durante a entrevista concedida após a reunião em Washington.
Uma oportunidade histórica, segundo Al Busaidi, que incluiria concessões iranianas não previstas no acordo de 2015, assinado durante a gestão Obama. O diplomata afirmou que o acordo está ao alcance se a diplomacia for fortalecida.
A agenda previa novas oportunidades de diálogo: uma reunião com a OIEA em Viena para tratar de aspectos técnicos das inspeções e uma nova rodada de negociações em Genebra na semana seguinte. Também ganhou espaço a ideia de um diálogo regional com países árabes do Golfo.
Entre os temas discutidos, estava o desmonte gradual do programa de mísseis balísticos iranianos, exigído por Washington, e a possibilidade de abrir espaço para conversas sobre segurança regional. O mediador manteve o tom de otimismo, mesmo diante dos ataques.
Analistas costumam observar que a natureza discreta da atuação omanita contrasta com a ampla tensão regional. Especialistas ressaltam que os desdobramentos dependem do cumprimento de promessas verificáveis e do avanço em inspeções internacionais.
Fontes associadas às negociações indicam que Irã, de sua parte, não estaria enriquecendo urânio no momento e manteria apenas atividades restritas no Reator de Pesquisa de Teerã. A verificação dependeria, entre outros pontos, da prontidão de posições de verificação internacional.
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