- O governo dos Estados Unidos fará um pagamento inicial para as dívidas com a ONU em algumas semanas, informou o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz.
- Mais de 95% do valor devido do orçamento regular da ONU é dos EUA, estimado em cerca de US$ 2,19 bilhões até o início de fevereiro, além de US$ 2,4 bilhões para missões de paz e US$ 43,6 milhões para tribunais.
- Em 30 de dezembro, a Assembleia Geral aprovou US$ 3,45 bilhões para o orçamento regular da ONU em 2026.
- Um projeto de lei de gastos assinado pelo presidente Trump destinou US$ 3,1 bilhões às dívidas dos EUA com a ONU e outras organizações internacionais; Waltz afirma que o dinheiro é para débitos em atraso e para reformas.
- Waltz apoia as reformas “UN80” de António Guterres, defendendo redução de duplicidade entre agências, maior eficiência e foco básico em paz e segurança, com novas mudanças previstas.
O governo dos Estados Unidos planeja realizar um pagamento inicial às Nações Unidas nas próximas semanas, para pagar parte das dívidas com o organismo. A informação foi dada por Mike Waltz, em entrevista por telefone à Reuters, que também destacou a necessidade de a ONU manter reformas em curso. A fala ocorreu duas semanas após o alerta do secretário-geral Antonio Guterres sobre as finanças da organização.
Waltz afirmou que um primeiro tranche deverá chegar em breve, servindo como um adiantamento significativo das dívidas anuais dos EUA. O dirigente afirmou ainda que o valor final ainda não está definido, mas deverá ser confirmado em semanas.
Dívidas pendentes e orçamento da ONU
Funcionários da ONU indicam que mais de 95% do saldo devido ao orçamento regular é de responsabilidade dos EUA, estimado em 2,19 bilhões de dólares até o início de fevereiro. O país também deve 2,4 bilhões de dólares por missões de paz atuais e passadas e 43,6 milhões para tribunais da organização.
Em 30 de dezembro, a Assembleia Geral aprovou 3,45 bilhões de dólares para o orçamento regular da ONU em 2026, para cobrir custos de escritórios globais, salários, reuniões e trabalhos de desenvolvimento e direitos humanos. A crise financeira da ONU coincide com um recuo multilateral dos EUA em várias áreas.
Contexto político e reformas
A Administração Trump, com cortes em pagamentos obrigatórios, reduziu o financiamento voluntário a agências da ONU e sinalizou saída de organizações como a Organização Mundial da Saúde. Walter reiterou apoio às reformas da UN80, iniciadas por Guterres, consideradas um passo importante, embora não suficientes, segundo o diplomata.
Waltz comentou que o objetivo é retornar ao foco em paz e segurança e avaliar como a ONU pode cumprir seu potencial. Ele ressaltou a necessidade de reduzir duplicidades, citando sete agências da ONU com mudança climática como missão central e defendendo consolidação de logística e apoio administrativo.
Perspectivas e próximos passos
Guterres mostrou preocupação com a possibilidade de falta de caixa da ONU até julho, apontando questões sobre créditos de anuidades não desembolsadas. O diplomata norte-americano sugeriu revisar a regra que permite créditos retroativos de anuidades não recebidas, e afirmou que novas negociações sobre avaliações devem ocorrer no próximo ano.
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