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Cannabis não é eficaz para condições comuns de saúde mental, aponta revisão

Revisão internacional aponta pouca eficácia da cannabis no tratamento de ansiedade, anorexia nervosa e outros transtornos mentais

A factory in Thailand licensed to produce medical cannabis, which was made legal in the UK in 2018.
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  • A revisão avaliou cinquenta e quatro ensaios randomizados com dois mil quatrocentos e setenta e sete participantes e concluiu pouca evidência de eficácia da cannabis medicinal para ansiedade, anorexia nervosa, transtornos psicóticos, transtorno de estresse pós‑traumático e transtorno por uso de opioides.
  • Trata-se da análise mais ampla e abrangente já feita sobre canabinoides para tratar transtornos mentais e uso de substâncias.
  • Algumas evidências analisadas sugerem que produtos médicos podem reduzir a dependência de cannabis, aliviar sintomas de transtorno de Tourette e ajudar quem tem insônia, além de melhorar traços autistas, mas com qualidade de evidência considerada baixa.
  • Não houve indicação de benefício para depressão; há evidência insuficiente sobre TDAH, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno de uso de tabaco.
  • A conclusão dos pesquisadores é de que, dada a escassez de provas, o uso rotineiro de canabinoides para transtornos mentais e de uso de substâncias não está, no momento, justificado.

Tradução e síntese de uma revisão internacional sobre o uso medicinal da cannabis indicam que não há eficácia comprovada para condições mentais comuns, mesmo com aumento de uso global. Pesquisadores de universidades na Austrália (Sydney, Brisbane e Melbourne) e no Reino Unido (Bath) analisaram a evidência disponível até o momento. O estudo busca embasamento diante da legalização de produtos à base de cannabis em alguns países.

A revisão avaliou 54 ensaios randomizados, envolvendo 2.477 participantes. Os resultados mostraram pouca evidência de benefício da cannabis medicinal para ansiedade, anorexia nervosa, transtornos psicóticos, transtorno de estresse pós-traumático e transtorno por uso de opioides. A análise aponta ausência de efeitos significativos nesses desfechos.

O conteúdo também sugere inconsistências em dados sobre déficit de atenção, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo e dependência de tabaco, além de não haver evidência para depressão. Em áreas com evidência de benefício modesto, como algumas dependências, isso não é suficiente para justificar uso generalizado.

Implicações regulatórias e leituras divergentes

Especialistas questionam a aplicação clínica da cannabis, afirmando que benefícios são limitados e efeitos colaterais são comuns. Em comparação, representantes da indústria defendem que pacientes com condições psiquiátricas obtêm alívio de sintomas, ressaltando a necessidade de acesso a tratamentos médicos.

Ocasionalmente, órgãos reguladores discutem impactos da legalização em 2018 e possíveis consequências não intencionais. Em nota técnica, pesquisadores destacam a importância de oferecer informações transparentes aos pacientes para decisões informadas sobre tratamento.

Conclusões da comunidade científica

Os autores enfatizam que, diante da escassez de evidência, o uso rotineiro de canabinóides para distúrbios mentais e uso de substâncias é atualmente pouco justificado. O estudo ressalta a necessidade de pesquisas mais robustas para esclarecer efeitos em diversas condições.

Fonte: Lancet Psychiatry.

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