- A avaliação precoce de altas habilidades envolve avaliação neuropsicológica, escuta da família e observação escolar para cuidar da saúde emocional e do bem‑estar da criança.
- A superdotação não é diagnóstico nem doença; é um modo de funcionamento cerebral com performance acima da média em uma ou mais áreas.
- Quando não compreendida, pode haver sofrimento emocional, como ansiedade, isolamento e perfeccionismo, por isso a avaliação deve considerar aspectos cognitivos e afetivos.
- A detecção precoce é ainda mais importante na dupla excepcionalidade (alta habilidade associada a condições como TDAH, dificuldades de aprendizagem ou autismo), pois permite intervenções que reduzem riscos emocionais.
- Barreiras comuns incluem triagens baseadas em testes, desigualdade de acesso, falta de formação profissional e ausência de fluxos entre escola, saúde mental e centros de desenvolvimento; modelos multidisciplinares ajudam a melhorar o encaminhamento clínico.
A avaliação precoce em altas habilidades vai além da escola. Ela busca entender como o cérebro funciona, identificando potencialidades e sinais associados, para promover bem-estar emocional, comportamental e relacional desde a infância.
Superdotação não é diagnóstico nem doença. Trata-se de um funcionamento neurobiológico com desempenho acima da média em uma ou mais áreas, sem código diagnóstico único. A prática clínica foca na avaliação do funcionamento, não na rotulação.
Altas habilidades costumam incluir processamento acelerado, curiosidade intensa e sensibilidade emocional. Quando não compreendidas, surgem sinais como tédio, ansiedade, isolamento social e perfeccionismo paralisante, afetando a saúde mental.
O tempo da avaliação faz diferença. Detecção precoce integrada a avaliação neuropsicológica, escuta da família e observação escolar reduz riscos emocionais e favorece o desenvolvimento saudável, especialmente na dupla excepcionalidade com TDAH, learning disorders ou TEA.
Impacto da avaliação precoce
Do ponto de vista da saúde, não se rotula a criança, orienta-se o cuidado. A avaliação identifica forças, vulnerabilidades e necessidades para planos que promovam regulação emocional, manejo da ansiedade e estratégias adaptativas.
Intervenções podem incluir psicoterapia, acompanhamento psicopedagógico e avaliação médica, conforme necessário. Evidências indicam que ações preventivas reduzem o agravamento de quadros emocionais na infância e adolescência.
Desafios na implementação
Triagens com base apenas em testes padronizados podem privilegiar quem tem mais estímulos culturais. Falta formação de profissionais para reconhecer sinais de altas habilidades e seus sintomas. A ausência de fluxos entre escolas, saúde mental e centros especializados complica o cuidado.
Modelos multidisciplinares reduzem a subidentificação, especialmente entre grupos socialmente sub-representados, e qualificam o encaminhamento clínico. A articulação entre setores é essencial para um olhar completo sobre a criança.
Cuidar da saúde de crianças com altas habilidades é cuidar do futuro. Avaliação precoce que considera demandas cognitivas e emocionais cria ambiente para o potencial se desenvolver com bem-estar.
Fontes e referências relevantes destacam a importância de protocolos sensíveis e integrados, orientando intervenções que acompanhem a criança ao longo do desenvolvimento.
*Thaís Barbisan* é psicóloga e neuropsicóloga, com atuação em avaliação do desenvolvimento infantil e intervenção psicossocial.
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