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Avaliação precoce em altas habilidades: saúde para o talento florescer

Avaliação neuropsicológica precoce em altas habilidades reduz riscos emocionais e orienta planos de cuidado, especialmente na dupla excepcionalidade

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Cuidar da saúde de crianças com altas habilidades é, acima de tudo, cuidar do futuro. Quando a avaliação precoce considera tanto as demandas cognitivas quanto as emocionais, cria-se um ambiente favorável para que o potencial se desenvolva sem prejuízo do bem-estar (Foto: Vitaly Gariev/Unsplash )
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  • A avaliação precoce de altas habilidades envolve avaliação neuropsicológica, escuta da família e observação escolar para cuidar da saúde emocional e do bem‑estar da criança.
  • A superdotação não é diagnóstico nem doença; é um modo de funcionamento cerebral com performance acima da média em uma ou mais áreas.
  • Quando não compreendida, pode haver sofrimento emocional, como ansiedade, isolamento e perfeccionismo, por isso a avaliação deve considerar aspectos cognitivos e afetivos.
  • A detecção precoce é ainda mais importante na dupla excepcionalidade (alta habilidade associada a condições como TDAH, dificuldades de aprendizagem ou autismo), pois permite intervenções que reduzem riscos emocionais.
  • Barreiras comuns incluem triagens baseadas em testes, desigualdade de acesso, falta de formação profissional e ausência de fluxos entre escola, saúde mental e centros de desenvolvimento; modelos multidisciplinares ajudam a melhorar o encaminhamento clínico.

A avaliação precoce em altas habilidades vai além da escola. Ela busca entender como o cérebro funciona, identificando potencialidades e sinais associados, para promover bem-estar emocional, comportamental e relacional desde a infância.

Superdotação não é diagnóstico nem doença. Trata-se de um funcionamento neurobiológico com desempenho acima da média em uma ou mais áreas, sem código diagnóstico único. A prática clínica foca na avaliação do funcionamento, não na rotulação.

Altas habilidades costumam incluir processamento acelerado, curiosidade intensa e sensibilidade emocional. Quando não compreendidas, surgem sinais como tédio, ansiedade, isolamento social e perfeccionismo paralisante, afetando a saúde mental.

O tempo da avaliação faz diferença. Detecção precoce integrada a avaliação neuropsicológica, escuta da família e observação escolar reduz riscos emocionais e favorece o desenvolvimento saudável, especialmente na dupla excepcionalidade com TDAH, learning disorders ou TEA.

Impacto da avaliação precoce

Do ponto de vista da saúde, não se rotula a criança, orienta-se o cuidado. A avaliação identifica forças, vulnerabilidades e necessidades para planos que promovam regulação emocional, manejo da ansiedade e estratégias adaptativas.

Intervenções podem incluir psicoterapia, acompanhamento psicopedagógico e avaliação médica, conforme necessário. Evidências indicam que ações preventivas reduzem o agravamento de quadros emocionais na infância e adolescência.

Desafios na implementação

Triagens com base apenas em testes padronizados podem privilegiar quem tem mais estímulos culturais. Falta formação de profissionais para reconhecer sinais de altas habilidades e seus sintomas. A ausência de fluxos entre escolas, saúde mental e centros especializados complica o cuidado.

Modelos multidisciplinares reduzem a subidentificação, especialmente entre grupos socialmente sub-representados, e qualificam o encaminhamento clínico. A articulação entre setores é essencial para um olhar completo sobre a criança.

Cuidar da saúde de crianças com altas habilidades é cuidar do futuro. Avaliação precoce que considera demandas cognitivas e emocionais cria ambiente para o potencial se desenvolver com bem-estar.

Fontes e referências relevantes destacam a importância de protocolos sensíveis e integrados, orientando intervenções que acompanhem a criança ao longo do desenvolvimento.

*Thaís Barbisan* é psicóloga e neuropsicóloga, com atuação em avaliação do desenvolvimento infantil e intervenção psicossocial.

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