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Projeto rastreia algodão de 1 milhão de peças, do campo à vitrine

SouABR amplia a rastreabilidade do algodão para um milhão de peças até 2026, condicionada à adesão de mais marcas e à participação de toda a cadeia de produção

Programa conecta produtores, indústria têxtil e varejistas para rastrear a origem do algodão. (Foto: Divulgação)
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  • Programa SouABR da Abrapa expandirá a rastreabilidade do algodão para 1 milhão de peças até o fim de 2026, dependendo da adesão de novas marcas.
  • Após quatro anos de testes e mais de 640 mil peças rastreadas, marcas como Calvin Klein, C&A e Almagrino participaram do piloto.
  • A rastreabilidade é acessível ao consumidor via QR Code na etiqueta, que mostra a cadeia desde a fazenda até a peça final.
  • Brasil é o terceiro maior produtor de algodão, com a maior parte da produção exportada; o processo de rastreabilidade envolve várias etapas e elos.
  • O projeto exige adesão de toda a cadeia (fazendas, fiações, confecções) e implica custos, com política de adesão paga a partir de julho de 2026.

O projeto SouABR, da Abrapa, ampliará a rastreabilidade do algodão em 2026. A meta é chegar a 1 milhão de peças rastreadas até o fim do ano, ampliando a participação de marcas na cadeia. O foco é medir a origem do algodão e melhorar práticas socioambientais.

Desde 2021, o programa já rastreou mais de 640 mil peças, com participação de marcas como Calvin Klein, C&A e Almagrino. A plataforma entrega ao consumidor informações da cadeia por meio de QR Code na etiqueta da roupa.

O SouABR nasceu do movimento Sou de Algodão, criado pela Abrapa para aproximar indústria de moda e produtores. Marcas como Farm, Riachuelo e C&A já integraram o projeto, que registra dados desde a fazenda até a loja.

Em 2025, o programa registrou 319.647 peças rastreáveis e consolidou dados em uma plataforma digital acessível ao público. O sistema mostra que uma peça pode ter algodão de vários estados ao longo da cadeia.

O Brasil é o terceiro maior produtor de algodão, com safra prevista em 4,25 milhões de toneladas em 2025/2026. A maior parte da produção é exportada, e a China é o principal comprador brasileiro.

Avanço e métricas

Rastrear a fibra natural envolve várias etapas: fazenda, laboratório, fiação, tecido e confecção. A execução depende da adesão de toda a cadeia de valor à plataforma de dados. Sem esse compartilhamento, a rastreabilidade se perde.

A plataforma registra informações desde o produtor até a loja. O consumidor pode, via QR Code, ver o caminho da fibra até a peça final, com origem certificada.

Para ampliar a adesão, a Abrapa lança uma política de adesão paga a partir de julho de 2026. As taxas variam por porte de empresa e o volume de peças rastreadas, com valores que variam conforme o perfil da organização.

Entre os custos, há onboarding único e anuidades proporcionais ao tamanho da empresa, além de tarifas para varejistas conforme o total de peças rastreadas. O modelo busca sustentar o programa.

Desafios e perspectivas

A executiva Silmara Ferraresi destaca que o principal desafio é convencer toda a cadeia de valor a participar. Sem contribuições de fiações, tecelagens e confecções, a rastreabilidade falha.

Mesmo com custos adicionais, as peças rastreadas costumam manter o mesmo preço do produto convencional, quando o consumidor não reconhece o valor adicional. A concorrência de itens sintéticos também é significativa.

O interesse de varejistas e fabricantes indica potencial de expansão, com mais uma varejista fortalecendo a meta de 1 milhão de peças. O movimento busca, ao longo dos próximos anos, ampliar a participação de empresas na cadeia.

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